Jaques Wagner (PT-BA) ligou na quarta-feira (3 jun) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma possível aplicação de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. A associação ocorreu em meio a críticas à ida de Flávio à Casa Branca para encontro com o presidente Donald Trump.
Segundo o líder do governo no Senado, o episódio seria parte de um movimento que pode levar a medidas protecionistas contra o Brasil. Wagner ressaltou ainda o projeto brasileiro de pagamentos instantâneos Pix, defendendo-o como inovação nacional que desagradaria setores financeiros estrangeiros.
De acordo com a avaliação de integrantes do governo, a visita de Flávio ao exterior foi vista como alinhada a um anúncio de tarifas. A leitura é de que o episódio acentuou discussões sobre política comercial e soberania econômica brasileira.
Proposta de tarifas dos EUA
O governo americano anunciou, na véspera, a conclusão de investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A proposta é de tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 59 países, entre eles o Brasil e a União Europeia, por alegada falha no combate ao trabalho forçado na cadeia produtiva.
As tarifas ainda não entraram em vigor. A decisão depende de audiências e consultas públicas e pode valer a partir de julho, sujeita a alterações conforme o andamento do processo.
Envolvimento de Flávio Bolsonaro e Trump
A administração brasileira afirma que houve intervenção da família Bolsonaro durante a visita a Trump, ocorrida na semana anterior à divulgação das tarifas. Na ocasião, Trump divulgou foto com Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo no Salão Oval.
Em entrevista publicada na terça-feira, Flávio afirmou ter feito um pedido a Trump para evitar a taxação de empresas brasileiras e enfatizou a importância de valorizar o Pix, o etanol e outras tecnologias nacionais. O governo brasileiro afirma não compactuar com medidas que prejudiquem o país.
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