A Marcha para Jesus deste ano acabou marcada nas redes sociais menos por debates sobre fé e mais pela tentativa de delimitar a relação entre religião e política. A análise da Ativaweb DataLab acompanhou mais de 17 milhões de menções públicas nas primeiras 20 horas após o evento em São Paulo.
Entre os políticos monitorados, Flávio Bolsonaro teve o maior volume de menções e o maior índice de rejeição, segundo o estudo. Aproximadamente 51,9% do que foi citado sobre o senador foi de tom negativo, ligada a falas sobre uma suposta guerra espiritual e a expulsão do mal do governo.
Jorge Messias, advogado-geral da União, apareceu entre os mais bem avaliados, com 48,6% de menções positivas e 15,6% negativas. Já o ministro André Mendonça, do STF, registrou o melhor desempenho reputacional entre os nomes monitorados, com 52,1% de avaliações positivas.
Tarcísio de Freitas foi o líder com perfil mais estável, apresentando um equilíbrio entre críticas e elogios e mantendo uma imagem menos polarizada, de acordo com a análise. O levantamento também evidenciou variações de percepção sobre a participação de governadores no evento.
Resultados principais
Ao longo das redes, surgiu a pergunta Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro, entre os conteúdos mais recorrentes. A pesquisa indica que houve um foco significativo na presença de pré-candidatos e na ligação entre discurso religioso e a corrida eleitoral de 2026.
Outra leitura destacada foi a percepção sobre o Estado laico. A ausência do presidente Lula gerou repercussão favorável em parte das redes, com usuários interpretando a ausência como um sinal de respeito à separação entre religião e poder.
Contexto e desdobramentos
Especialistas ressaltam que o eleitorado evangélico apresenta divisões mais explícitas sobre a mistura entre fé e política. O estudo aponta um volume expressivo de críticas à transformação da Marcha em espaço de disputa eleitoral, mesmo entre segmentos religiosos.
A pesquisa monitorou menções públicas nas plataformas digitais nas primeiras horas após o evento, sem considerar conteúdos trazidos por outras mídias. Os dados ajudam a entender como a cena política brasileira é recebida por eleitores conectados às redes sociais.
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