A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini, que mira a venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT). O desembargador Dirceu dos Santos, o deputado Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro estão entre os alvos. Houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em Cuiabá, com apresamento de itens de alto valor, como relógios, canetas de luxo e armas. Sigilos bancário, fiscal e telemático foram quebrados.
A investigação aponta movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo desembargador nos últimos cinco anos. Dados da PF indicaram aproximadamente 14,6 milhões de reais em movimentação, mais de 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie concentrados. Dirceu dos Santos foi afastado do TJ-MT em março, por decisão do CNJ, como um dos magistrados citados em suspeitas de venda de sentenças.
Segundo apurações, o suposto esquema teria o advogado Roberto Zampieri, conhecido como o “lobista dos tribunais”, como elo entre as partes. Zampieri foi morto em 5 de dezembro de 2023, na porta de seu escritório, o que, de acordo com as investigações, teria impulsionado a atuação de uma organização criminosa ligada ao TJ-MT. O grupo também é investigado por operações imobiliárias simuladas para ocultar origem dos recursos.
Movimentações
A PF apontou 51 aquisições de imóveis entre 1986 e 2025, totalizando 7,17 milhões de reais, com críticas sobre possíveis subavaliações para fins registrários. Ainda segundo a Corregedoria, o patrimônio do desembargador cresceu de forma substancial nos últimos cinco anos, com incremento de 10,21 milhões de reais e sobra financeira de 9,6 milhões, o que não condiz com os rendimentos.
A investigação também detectou variações patrimoniais a descoberto nos anos de 2021 a 2023, com destaque para 2023, quando houve aumento não explicado de 1,91 milhão de reais. Faissal Calil, ex-assessor técnico de Dirceu no TJ, é apontado como operador de triangulações imobiliárias para ocultar a origem do dinheiro. Parte do montante teria origem em propinas de empresas do agronegócio com litígios no tribunal.
Bruno Castro, advogado de uma das partes envolvidas, afirmou ter se apresentado às autoridades para esclarecimentos, inclusive ao CNJ e à PGR. O TJ-MT informou que não houve mandado na sede do tribunal, e que o caso tramita no STJ. A defesa de Dirceu dos Santos não se manifestou até o fechamento desta edição. (Com Agência Estado)
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