O papa Leão XIV se encontrou com parlamentares espanhóis no Palácio das Cortes, sede do Congresso, na manhã do terceiro dia de sua visita à Espanha, iniciada no dia 6 e que segue até sexta-feira. O encontro reuniu cerca de 600 deputados para ouvir um discurso sobre dignidade humana, vida desde a concepção até o fim natural e responsabilidades do poder legislativo.
O líder da Igreja Católica defendeu que a pessoa humana merece proteção integral independente de convicções ideológicas ou lógicas políticas. Ele pediu que o governo utilize fundamentos da tradição jurídica espanhola, especialmente a escola de Salamanca, ao avaliar leis que impactam a vida, a família e a educação.
Leão XIV destacou que a dignidade da pessoa precede decisões do Estado e não pode depender de consensos transitórios. O papa enfatizou que o direito à vida deve guiar todo o ordenamento jurídico, abrangendo a proteção de crianças não nascidas, idosos, doentes e pessoas vulneráveis, em qualquer circunstância.
O pontífice lembrou que avanços tecnológicos, econômicos e médicos desafiam a sociedade, exigindo uma leitura ética e responsável do poder. Ele citou a necessidade de reconhecer direitos e deveres de toda pessoa, sem reduzir a dignidade a interesses momentâneos.
Além disso, o discurso abordou a importância da família como base da comunidade, o papel da educação no respeito aos valores morais e religiosos, além de questões migratórias e liberdade de pensamento, consciência e religião. A defesa da vida foi apresentada como um objetivo de civilização, não uma questão exclusiva de determinada corrente.
Ao encerrar, Leão XIV recebeu aplausos de pé por vários minutos. O papa afirmou que leis verdadeiramente justas devem respeitar a dignidade humana acima de qualquer cálculo político, e instou os parlamentares a avaliar suas propostas pela grandeza moral que promovem, não apenas pela validade formal.
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