O abandono de campanhas de propaganda em torno de Nicolas Maduro avança no território venezuelano. Caminhões de lixo e postes já ostentam silhuetas negras da famosa presença do ditador no imaginário do país. A imagem dele, antes onipresente, perde espaço nas vias.
Em Caracas e arredores, grandes anúncios com o rosto de Maduro e da então primeira-dama Cilia Flores ainda permanecem, mas o ritmo de remoção aumenta. Muralhas comovem-se com manchas de tinta branca que cobrem retratos ligados ao regime.
Na região central da capital, muralistas pró-regime ainda aparecem, mas o tom de apoio é cada vez mais discreto. Em Miraflores, inscrições de apoio convivem com grafites que celebram a mudança de cenário político sem vínculo explícito ao ex-líder.
Paralelamente, observadores ressaltam mudanças no discurso oficial. Segundo análises locais, o nome de Maduro quase não é citado pela administração de quem assumiu após seu seqüestro, em janeiro. Isso indica uma reorientação de planos e de narrativa pública.
A queda do carisma institucional ocorre em meio a uma economia em retração e à saída de milhões de venezuelanos em busca de melhor condições. Especialistas dizem que a erosão de apoio também envolve parte do movimento chavista, que já não vê no ex-líder a força mobilizadora de anos anteriores.
Frotas de grafiteiros e apoiadores isolados continuam a manifestar apoio em eventos pontuais. Em uma mobilização recente, indivíduos vestindo branco compareceram a protestos próximos a espaços culturais, enquanto símbolos de fidelidade permanecem raros e distritos inteiros exibem sinais de distanciamento.
Contexto e desdobramentos
Pontos de sinalização pública mostraram mensagens pedindo a libertação de Maduro e Cilia Flores, porém houve registro de intervenções estatais que apagam ou obscurecem essas mensagens. Em alguns trechos, intervenções estéticas transformaram paisagens urbanas em quadros de coerção histórica.
Especialistas afirmam que a transformação do cenário midiático reflete o esfriamento da adoração pública e a fragmentação de apoio entre aliados. O regime enfrenta pressão interna para redefinir a imagem e reduzir o peso de episódios controversos da gestão passada.
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