No último fim de semana, o que ocorreu em Congonhas evidencia falhas no atendimento de acessibilidade em aeroportos. Um passageiro cadeirante relata que não houve ambulift disponível no embarque e desembarque durante voo da Azul, com equipamentos da concessionária apresentando falhas graves. A situação expôs fragilidades no transporte de pessoas com deficiência no aeroporto.
O relato é de Jairo Marques, jornalista com deficiência e colaborador da Folha. Em vídeo, ele descreve a indisponibilidade de ambulift, a porta de acesso danificada e ganchos improvisados para segurar a cadeira de rodas. Segundo ele, o atendimento depende de terceiros e não houve clareza sobre o que ocorria no momento.
Situação no Aeroporto de Congonhas
A Azul Linhas Aéreas Brasilieras informou que, no desembarque do voo AD9153, houve indisponibilidade momentânea do ambulift, equipamento de uso público da concessionária. A companhia afirmou ter adotado as medidas necessárias e garantido o atendimento com segurança. A empresa também ressaltou que prestou suporte contínuo aos clientes.
A ENAC (ANAC) confirmou acompanho dos relatos e informou que houve uma indisponibilidade temporária de ambulifts no aeroporto por questões de manutenção. Segundo a agência, a situação já foi normalizada, com mais de dois ambulifts em operação e a previsão de chegada de novos equipamentos para ampliar a redundância.
A AENA Brasil, operadora do aeroporto, justificou o atraso no desembarque por falha de coordenação na operação dos equipamentos de acessibilidade. A concessionária destacou que, nos últimos 12 meses, mais de 24 mil passageiros com necessidade de assistência passaram pelos ambulifts de Congonhas, e afirmou ter tomado medidas para aprimorar a integração entre equipes e reduzir ocorrências futuras.
Regulamentação e impactos esperados
O caso de Congonhas, atrelado a reportagens anteriores sobre Guarulhos, coloca em evidência propostas da ANAC para atualização da Resolução nº 280, de 2013, que trata de assistência especial e acessibilidade no transporte aéreo. Uma consulta pública de 2025 recebeu centenas de contribuições e houve audiência pública em março.
Entre as mudanças em estudo, está a redefinição de quem é o passageiro com necessidade de assistência especial (PNAE) e a possibilidade de a empresa aérea decidir, de forma unilateral, quais pessoas com deficiência podem viajar sozinhas. A intenção é ampliar a autonomia, mas o tema tem gerado debates sobre proteção de direitos e garantias individuais.
As autoridades reforçam que todas as informações sobre atendimento a pessoas com deficiência devem manter a segurança e o bem-estar como prioridade. Em Congonhas, a concessionária, a operadora Gol e a Latam já atuam com ambulifts, buscando reduzir dependências e melhorar a experiência de viagem para este público.
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