A CNN Brasil teve acesso a cartas manuscritas apreendidas pela Promotoria na casa do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. Os papéis foram encontrados durante mandados de prisão e busca e apreensão executados na quarta-feira em São Paulo. As comunicações apontam para alinhamento de versões entre investigados da suposta fraude bilionária e lavagem de dinheiro.
Uma das cartas mostra Artur solicitando que um investigado assine uma procuração para o advogado de defesa do grupo, com a frase de que é necessário para vencer os processos. Em outra mensagem, intitulada obrigações a fazer, há itens relacionados a pagamentos e movimentações financeiras.
Trechos dirigidos a terceiros citam instruções para não colaborar com o Ministério Público. Em mensagem dirigida a uma pessoa identificada como Rafael, Artur orienta não firmar acordo com o MP e não fazer delação, assinando a nota como The King.
Prejuízo financeiro
Documentos obtidos pela reportagem indicam prejuízos estimados em 8,53 bilhões de reais. A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo contabiliza 5,75 bilhões em danos ligados ao esquema, incluindo créditos de ressarcimento e outros créditos.
Entre as empresas mencionadas, a Fast Shop aparece com cerca de 2 bilhões e a Ultrafarma com aproximadamente 1 bilhão envolvidos no caso. A Receita Federal registra prejuízo estimado de 1,74 bilhão de reais, e a Controladoria-Geral do Estado aplicou à Fast Shop uma multa de 1,04 bilhão pela Lei Anticorrupção.
Novo andamento da operação
Artur foi solto no dia 2 de junho, mas novos pedidos de prisão preventiva já haviam sido deferidos pelo Ministério Público no dia seguinte. O Gedec segue atuando nas apurações, com base em investigações que envolvem mais de 130 crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.
A prisão ocorreu na manhã de 10 de junho, na casa do ex-auditor, acompanhado por um jovem de programa, que também teria funções no esquema. Segundo as investigações, o indivíduo recebia pagamentos e viabilizava operações com uso de celular de terceiros para comunicação com investigados.
Artur é considerado pelo Ministério Público como articulador central de uma organização criminosa dedicada a fraudes em créditos de ICMS junto à SEFAZ-SP, no âmbito da Operação Ícaro deflagrada em 2025. A defesa de Artur foi procurada pela CNN Brasil, sem retorno até o fechamento desta edição.
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