O ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite, pré-candidato ao Senado pelo PP, afirmou à CNN 360º que o sistema prisional de El Salvador é referência para o plano de governo de Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL. Ele diz que a experiência salvadorenha mostra como reduzir a violência por meio de prisões de segurança máxima.
Segundo Derrite, El Salvador era o país mais violento do mundo e hoje é considerado mais seguro. Ele aponta que o modelo concentra lideranças criminosas, com restrições de visitas, sem direito a benefícios e sem contato não monitorado, como base para ações no Brasil.
O ex-secretário também citou os Cecots, os Centros de Confinamento do Terrorismo, que podem abrigar até 40 mil detentos por unidade. O objetivo seria isolar organizações criminosas e reduzir crimes violentos no país.
Para embasar a ideia, Derrite mencionou o “método Bukele”, adotado pelo presidente Nayib Bukele. Ele afirma que a estratégia tem como pilar o endurecimento do combate a gangues para reverter a curva de violência.
A adoção dessa linha tem ganhado apoio de outros integrantes da chapa de Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro já manifestou apoio à aplicação de medidas semelhantes, em vídeos divulgados durante o lançamento da pré-candidatura de Derrite.
Bukele atuou desde 2019 com ações de tolerância zero a gangues e medidas de emergência para justificar operações de força. Em 2020, abriu espaço legal para uso de força pelas forças de segurança contra criminosos organizados.
El Salvador instaurou o estado de exceção em 2022, autorizado pela Assembleia, para frear a criminalidade. O Cecot ganhou destaque internacional após acordos para envio de presos de gangues para o país.
Dados oficiais apontam queda da taxa de homicídios em El Salvador para 1,3 por 100 mil habitantes em 2025. Organizações da sociedade civil contestam esses números, alegando repressão ampla contra jornalistas e opositores.
Independente das contestações, Derrite sustenta que o modelo serve de referência e pode ser incorporado, com ajustes, ao plano de governo de Flávio Bolsonaro. A reportagem não confirma a adoção de políticas idênticas.
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