O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi condenado nesta sexta-feira a 30 anos de prisão por planejar enviar drones à Coreia do Norte para provocar Pyongyang e criar justificativa para decretar a lei marcial em dezembro de 2024. A decisão aponta finalidade política e uso de ações que poderiam afetar a segurança nacional, segundo a sentença.
A Justiça já havia condenado Yoon a prisão perpétua em fevereiro por insurreição, após tentar impor a lei marcial e convocar tropas ao Parlamento. Em janeiro, ele recebeu cinco anos de prisão por obstrução de Justiça; a pena foi ampliada para sete anos em abril após recurso. A acusação também aponta envio de drones com panfletos para Pyongyang em outubro de 2024.
De acordo com o veredito, a operação visava criar base legal para tirar o Parlamento de cena, com o objetivo de silenciar a oposição e manter poder político. Os magistrados destacaram uso de capacidades militares para fins privados e suposto abandono de objetivos de defesa nacional.
Os promotores sustentaram que a ação poderia ter vazado informações confidenciais, já que alguns drones teriam caído no território norte-coreano. A defesa nega as acusações sobre drones, argumentando que não havia ordem formal e descrevendo a operação como autodefesa.
Reações e contexto
A Coreia do Norte respondeu de forma moderada, avisando que reagiria a novos drones apenas se houver novas incursões. Dois meses depois, Yoon tentou executar a lei marcial, citando ameaças de “forças antiestatais” ligadas à Coreia do Norte e a rejeição do orçamento pelo Parlamento.
Um grupo de deputados entrou no Parlamento acompanhado de tropas, aprovando uma resolução contra a lei marcial e forçando a retirada da medida. O episódio desencadeou crise política na Coreia do Sul, levando à destituição de Yoon em abril de 2025. Atualmente ele permanece sob custódia, enquanto recorre da condenação.
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