Oito municípios brasileiros recuaram da tarifa zero no transporte público nos últimos anos, retomando a cobrança de passagem. O dado aparece pela primeira vez em uma pesquisa da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte), em sua terceira edição.
A publicação, apresentada em Brasília, aponta que o recuo ocorreu em cidades de pequeno e médio porte, com população entre 18 mil e 111 mil habitantes. Metade fica no estado de São Paulo. Em geral, as gratuidades duraram poucos meses a alguns anos.
Paulínia, na região de Campinas, já teve tarifa zero na década de 1990 e depois interrompeu o programa, retomando parcialmente, o que acabou sendo descontinuado em 2018. Hoje, a prefeitura cobra R$ 1, com estudantes pagando R$ 0,50.
Em Monte Mor, a gratuidade universal encerrou em 2025, após menos de dois anos de funcionamento. A passagem agora custa R$ 6, com isenções ou descontos para usuários cadastrados no CadÚnico.
Cidades que recuaram em tarifa zero
- Jaboticabal (SP)
- Monte Mor (SP)
- Paulínia (SP)
- Picos (PI)
- Pirapora do Bom Jesus (SP)
- Porto Real (RJ)
- Tijucas do Sul (PR)
- Ubiratã (PR)
A pesquisa cita ainda que São Caetano do Sul não integra a lista de recuos, mantendo a gratuidade para moradores cadastrados na plataforma SancaGov; a tarifa para não moradores pode chegar a R$ 5. O estudo também aponta que prefeitos que assumem com visão contrária reverteem políticas anteriores.
O relatório destaca que a adoção da tarifa zero cresceu, mas em ritmo menor após o pico de 2021 a 2023. Hoje, 143 municípios possuem tarifa zero integral, com 43 adotando gratuidades para categorias específicas.
Para a NTU, a tarifa zero não funciona como medida isolada. É necessária uma estratégia estável de custeio, planejamento operacional e segurança jurídica, com apoio federativo para ampliar o acesso ao transporte.
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