O Peru vive uma eleição presidencial extremamente apertada, com a contagem de votos chegando a menos de 600 entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori, já com mais de 98% apurados. A disputa acontece em meio a um quadro de polarização e instabilidade institucional.
Sánchez é aliado do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, que está preso por tentativa de golpe. Caso eleito, ele promete conceder indulto. O atual presidente interino é José María Balcázar Zelada, substituindo José Jeri, destituído pelo Congresso por corrupção. Dina Boluarte já ocupou o cargo e também foi destituída, em uma trajetória de nove presidentes em dez anos.
Contexto político
A incongruência entre instabilidade política e desempenho econômico caracteriza o momento. A polarização se soma a mudanças frequentes de governo, com Rolos de poder e sucessivas investidas contra ocupantes do cargo.
Desempenho econômico e cenário fiscal
O Peru registrou crescimento do PIB de 3,4% em 2025, superior ao observado pelo Brasil, que teve 2,3%. A dívida pública é de 33% do PIB, indicador abaixo de níveis históricos, e a meta de déficit fiscal está em 1,9%, dentro de regras fiscais. A taxa Selic local fica em 4,25%, diante de 14,5% no Brasil.
Desafios sociais
Apesar da trajetória de crescimento, a pobreza persiste, com cerca de um terço da população na faixa, e a renda média ainda é abaixo de patamares desejáveis. A informalidade envolve quase 70% da força de trabalho, frente a aproximadamente 40% no Brasil, evidenciando assimetrias estruturais.
Perspectivas políticas e econômicas
Ambições de Keiko Fujimori ajudam a explicar parte da dinâmica parlamentar, com o Fuerza Popular como força dominante para eventuais impeachments. Já Sánchez aponta para mudanças significativas na agenda macroeconômica. O equilíbrio entre manter a estabilidade econômica e casar com um projeto político viável é o principal ponto de atenção até a divulgação do resultado eleitoral.
Entre na conversa da comunidade