A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) reforçou sua posição de neutralidade política, orientando líderes a não se envolverem em atividades político-partidárias. O objetivo é manter a separação entre igreja e Estado, conforme a instituição, uma das maiores do país, explica que cada esfera cumpre funções distintas.
O documento aponta dois motivadores para o recado: a proximidade das eleições e a necessidade de lembrar fiéis de que a participação partidária não deve conflitar com os propósitos religiosos. A orientação também estabelece que quem exerce funções políticas não pode representar a igreja de forma institucional.
Segundo o porta-voz da IASD na América do Sul, Jorge Rampogna, a postura busca prudência no uso das redes sociais e evita que a política tenha espaço nas atividades administrativas da igreja. A recomendação é que temas espirituais e missionários recebam prioridade entre lideranças e membros.
A instituição deixa claro que a política pode ser debatida como meio legítimo de defender valores cristãos, mas sem apoio institucional. Pastores, obreiros e funcionários que concorrem a cargos devem deixar funções religiosas, assim como qualquer atuação em assessorias ou campanhas. Recursos da igreja não devem financiar campanhas.
Entre as mudanças, a IASD retirou orientações prévias sobre participação em manifestações públicas, prometendo tratar do tema em textos futuros. A ausência de diretrizes definidas gerou dúvidas entre congregados sobre limites de atuação durante o período eleitoral.
Especialistas avaliam que o distanciamento político da IASD contrasta com relatos de adesões de parte de seus quadros ao bolsonarismo. Pesquisas citadas pelo documento destacam o papel da religião na percepção de governança entre evangélicos na região.
A nota também traz contexto institucional: a IASD se coloca como herdeira do protestantismo, mantendo forte atuação na saúde e educação com uma rede de escolas e hospitais. No Brasil, são cerca de 20 mil congregações e 1,8 milhão de membros, segundo dados da igreja.
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