Aumentam os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, e especialistas discutem a necessidade de preparar profissionais e hospitais para eventos extremos. O ESG Summit, promovido pela Exame, em São Paulo, reuniu pesquisadores e gestores para debater adaptação climática no setor.
O debate reuniu Evangeline Araujo, diretora do Instituto Ar, Arlindo Gonzaga, da Afya, e Daniele Beiriz Machado, da Beneficência Portuguesa. O objetivo foi mostrar que saúde não pode ser tratada de forma isolada e que decisões setoriais devem levar em conta impactos climáticos.
Secas, ondas de calor, queimadas e enchentes desafiam infraestrutura, serviços e profissionais de saúde. Hospitais e unidades básicas precisam incorporar a adaptação climática às estratégias de prevenção e atendimento, apontam especialistas.
Saúde planetária na grade curricular
Em 2025, as Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina passaram a incorporar o conceito de saúde planetária, seguido, em 2026, pela Enfermagem. O objetivo é incluir sustentabilidade, clima e vulnerabilidades sociais na formação dos profissionais.
Para Arlindo Gonzaga, a formação deve considerar que a saúde está ligada ao ambiente em que as pessoas vivem. Ele reforça que, no Brasil, os currículos precisam combinar uma base comum com adequações regionais, reconhecendo que diferentes locais apresentam realidades distintas.
A atuação também exige que hospitais considerem questões climáticas no planejamento de longo prazo. A Beneficência Portuguesa explicou ter desenvolvido uma matriz de risco climático capaz de projetar efeitos ambientais no funcionamento do pronto-socorro até 2100, ajudando a preparar respostas a secas e calor extremos.
A Coalizão Cardio, criada para o rastreamento de Condições Crônicas Não Transmissíveis, passou a avaliar como calor e poluição podem agravar riscos de pacientes cardiovasculares. A ideia é revisar processos e fortalecer ações de governança e educação permanente dos funcionários.
Da formação às políticas públicas
Apesar das mudanças, a adaptação das redes de saúde permanece em construção. O desafio envolve atualizar protocolos, ampliar ações preventivas e ampliar a capacidade de resposta a eventos extremos, com atuação articulada entre governos, sociedade civil e setor privado.
Profissionais de saúde continuam adotando medidas de prevenção e orientação para pacientes diante de riscos crescentes, como ondas de calor, incêndios e poluição. O foco é ampliar a resiliência dos sistemas de saúde por meio de políticas públicas mais robustas.
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