O episódio mais recente envolve a CBF e o presidente Samir Xaud, em meio à preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo. Embora a equipe treine nos Estados Unidos, a entidade vive uma intensa guerra política nos bastidores, centrada na gestão de Xaud. O foco é a forma como grupos internos disputam poder e influência.
Segundo o portal Léo Dias, surgiram acusações de que mulheres teriam sido levadas aos Estados Unidos com recursos da CBF. A confederação nega uso de dinheiro oficial para esse fim. Pessoas próximas dizem tratar-se de assunto pessoal, sem gasto formal da entidade.
Independentemente da veracidade, o episódio é interpretado nos bastidores como parte de uma disputa que se intensificou desde a chegada de Xaud. Dirigentes descrevem desconfiança, vazamentos e tentativas de desgaste entre setores de poder. O UOL ouviu diversas fontes da CBF para compor o panorama.
Correntes de influência
Uma versão aponta o vice-presidente Gustavo Dias Henrique como fogo-amigo, supostamente buscando ampliar sua influência e um caminho para a presidência. Ele discursou na cerimônia de convocação, o que alimentou a leitura de um movimento estratégico.
Gustavo nega qualquer tentativa de substituir Xaud. Afirmam pessoas próximas que, em caso de vacância, quem assume seria o outro vice, José Vanildo da Silva. No início da formação da chapa, ambos teriam tal ligação com Brasília.
Outra leitura aponta o diretor de seleções, Gustavo Feijó, como insatisfeito com o espaço na nova estrutura. Ele também nega planos de enfraquecer o presidente, apesar de ser visto por alguns como articulador de mudanças.
Há ainda resistência de federações estaduais. Presidentes de federações teriam ficado desconfortáveis com as mudanças promovidas pela gestão atual, com redução de benefícios comparado à era anterior. Cartolas viajaram aos Estados Unidos, mas ficaram distantes dos camarotes mais nobres.
Outra versão envolve a política de origem de Xaud, o estado de Roraima. Para muitos na CBF, disputas locais teriam extrapolado para o cenário nacional do futebol, alimentando a oposição ao presidente.
Brasília é apontada como peça-chave do xadrez político. Embora sem cargos formais na CBF, o ministro Gilmar Mendes é citado como influente nos bastidores, e seu filho, Francisco Mendes, também passou a participar das discussões que envolvem as decisões da confederação.
Essa combinação de fatores ajuda a explicar como Samir Xaud chegou ao comando da CBF, em meio a um momento de turbulência interna. O processo de eleição, com base em alianças políticas, tornou-se tão relevante quanto o desempenho da equipe em campo.
O panorama atual mostra uma disputa que transcende as partidas e a Copa, com o poder interno da confederação no centro das atenções. A narrativa em curso sustenta que o confronto político ocupará espaço relevante até a definição de lideranças e estratégias da entidade.
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