A Polícia Federal aponta indícios de interesses ilícitos na relação entre Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em informações enviadas ao STF, a PF descreve pagamentos de viagens internacionais e despesas realizadas a mando de Vorcaro em benefício do parlamentar. O material foi encaminhado após derrubado o sigilo nesta terça-feira.
As provas incluem fotos de Vorcaro e Nogueira em viagens e conversas por aplicativos. A PF aponta que as despesas teriam sido custeadas pelo empresário em troca de favores no Congresso, configurando uma possível troca de vantagens indevidas. A defesa de Nogueira ainda não havia se manifestado sobre o conteúdo.
Segundo a operação, haveria convergência de interesses ilícitos orientada pelo benefício mútuo. A PF sustenta que Nogueira atuaria para favorecer o banqueiro no Senado, enquanto Vorcaro ofereceria vantagens econômicas, como pagamentos periódicos, participação societária com deságio e custeio de viagens de alto padrão.
Conforme o relatório, o conjunto de evidências envolve uso da posição institucional de Nogueira para influenciar decisões e beneficiar o empresário. As mensagens e pagamentos seriam intermediados por funcionários do Master, conforme indicam os documentos apreendidos.
Em outra linha de investigação, a PF cita conversas anteriores em que Vorcaro teria sugerido que uma emenda apresentada pelo senador atendia aos interesses do Master. A PF descreve que envelopes com propostas teriam sido entregues a Nogueira por funcionários do banco.
Aemberga de uma das frentes investigadas envolve uma emenda à Constituição sobre autonomia financeira do Banco Central, conhecida como PEC pró-Banco Master. A proposta visava elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão de reais por CPF, segundo apuração da PF.
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