O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em coletiva em Genebra, após a cúpula do G7 na França, que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem direito a preferências políticas, mas não deve interferir na soberania brasileira ou nas eleições do Brasil.
Lula destacou que, se Trump basear sua visão apenas na relação com a família Bolsonaro, pode estar desinformado sobre o país. O presidente brasileiro ainda comentou a presença de brasileiros foragidos nos EUA e citou casos de empresários e ex-dirigentes ligados a questões fiscais e à Abin.
Segundo Lula, o governo brasileiro já repassou informações às autoridades americanas sobre o paradeiro dessas pessoas, e a Polícia Federal tem interesse em trazê-las de volta ao Brasil para responder à Justiça.
Defesa das urnas eletrônicas
O chefe do Executivo elogiou o sistema de urnas do Brasil e disse que os Estados Unidos poderiam aprender com a experiência brasileira, especialmente pela apuração rápida. Lula ressaltou que, duas horas após o encerramento, o resultado já estaria disponível em boa parte do território.
Ele afirmou que pretende demonstrar o funcionamento das urnas a Trump em um próximo encontro, sugerindo que o Brasil pode apresentar o modelo de votação eletrônica como referência, em vez do voto de papel.
Não se meta nas eleições do Brasil
Ao encerrar o tema, Lula manteve que Trump pode manter afinidade com a família Bolsonaro, desde que respeite a soberania brasileira. O presidente disse que não vê obstáculos para Trump apoiar Bolsonaro, desde que não haja interferência nas eleições brasileiras.
Lula reforçou que as eleições do Brasil são responsabilidade do país e que, da parte brasileira, não houve pedido de encontro bilateral com Trump durante a viagem, já que negociações sobre tarifas estavam em curso.
Observações sobre o cenário internacional
O presidente comentou ainda o uso da classificação de organizações criminosas pelos EUA, afirmando que as facções citadas representam ameaça ao Brasil, mas não necessariamente enquadramento igual em termos internacionais. Ele informou ter enviado observações por escrito ao colega americano sobre o tema.
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