O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), é alvo de apuração sobre empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões solicitado à empresa da cunhada para a compra de um terreno em João Pessoa (PB). A operação ocorreu em março de 2024, segundo a PF, e ficou registrada em documentos da Junta Comercial da Paraíba. As informações foram reveladas por reportagem do Estadão, com base em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Conforme os diálogos, Motta discutiu a liberação do crédito junto ao Master para a empresa da irmã de Luana Motta, Bianca Medeiros. A PF aponta que o dinheiro foi destinado à aquisição de um terreno no estado onde o deputado atua politicamente. A operação já havia sido revelada anteriormente pelo jornal Folha de S Paulo.
Relatos internos da investigação Compliance Zero estão sendo analisados pela Polícia Federal para verificar a existência de indícios criminais que justifiquem aprofundamento do caso envolvendo o presidente da Câmara. Um dos pontos em avaliação é a relação entre o financiamento e uma emenda de autoria de Motta.
Outro lado
Questionado pela edição paulista do Estadão, Motta não respondeu às tentativas de contato sobre a relação com Vorcaro. Disse apenas que a operação está dentro da legalidade e que a empresa está quitando as parcelas. A assessoria de Motta não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
A reportagem do Poder360 também buscou Bianca Medeiros, sem sucesso em obter contato. O jornal seguirá tentando coletar o posicionamento dela para atualização deste texto.
Contexto da operação
A chamada Compliance Zero está em curso desde 2025, com fases que já resultaram em prisões, prisões medidas cautelares e bloqueios de recursos. As informações oficiais indicam que a investigação envolve o Banco Master, operações financeiras de alto valor e possíveis irregularidades em atos administrativos.
Dados da PF apontam que, ao longo das fases, houve apreensões de bens, buscas em vários estados e o desbloqueio eventual de recursos. A investigação também acompanha relações entre terceiros próximos a Vorcaro e aparentes favorecimentos a determinadas ações de crédito.
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