O ministro André Mendonça, do STF, determinou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se abstenha de atuar em favor de empresas ligadas ao Banco Master durante a apuração da Operação Compliance Zero. A decisão envolve a restrição a interlocução com investigados e o impedimento de ações que possam favorecer o grupo.
A Polícia Federal aponta indícios de relação próxima entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, apontado como operador ligado ao Master. Investigações sugerem benefícios diretos ou indiretos ao parlamentar por meio de familiares e pessoas de confiança.
A apuração foca em três frentes: a possível compra de um apartamento de luxo no Poème Horto, em Salvador; pagamentos à BN Financeira Ltda; e a atuação parlamentar em pautas ligadas ao Master. Há citações de mensagens entre Wagner e Lima sobre imóveis.
O STF autorizou buscas e apreensões contra diversos investigados, incluindo pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao grupo. Foram indeferidos, porém, pedidos de busca no gabinete de Wagner no Senado e no escritório de apoio político.
Segundo a PF, há indícios de ocultação do verdadeiro beneficiário por meio de estruturas societárias interpostas e movimentações financeiras atreladas ao núcleo de Lima. Planilhas apontam transferências a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner.
Medidas e desdobramentos
A decisão também autorizou a apreensão de documentos, equipamentos e registros contábeis. A PF ressalta que as diligências visam esclarecer possíveis repasses e vantagens econômicas. A CNN tentou contato com o senador Wagner, sem retorno até o momento.
A apuração tende a esclarecer se há interferência do senador em pautas do Congresso relacionadas ao Banco Master, como mudanças no crédito consignado e limites do FGC, além de discutir a tentativa de aquisição do banco pelo BRB.
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