O Ministério das Mulheres registrou um avanço expressivo da violência contra a mulher na internet. Entre os primeiros cinco meses do ano e o mesmo período de 2023, as denúncias digitais cresceram 188%, saindo de 5.795 para 16.725 ocorrências. O ambiente online passou do 7º para o 5º lugar entre os locais de maior registro no Brasil.
Em reunião com jornalistas nesta segunda-feira, 22, a ministra Márcia Lopes destacou uma atualização do protocolo de enfrentamento da violência. As medidas integram a campanha O Digital é o Nosso Lugar, ampliando a atuação do Ligue 180 e a cooperação com a Secom e o governo federal.
A Central do Ligue 180 ganhará um protocolo específico com qualificação dos atendentes para atualizar a tipologia digital. A iniciativa visa reforçar o atendimento já existente e faz parte do Pacto Brasil entre os Três Poderes contra o Feminicídio.
Medidas em andamento
A capacitação dos atendentes começou em 9 de junho, juntamente com a reformulação do sistema de registro. Este ano, 2.281 denúncias envolveram o ambiente virtual como cenário da violência, além de 54 ocorrências que somam 93 violações digitais.
Perfil das vítimas e resultados
Dados do Ministério apontam concentração de vítimas entre as faixas etárias de 50-54, 35-39 e 20-29 anos. A coordenadora do Ligue 180, Ellen Costa, ressaltou a importância da qualificação para acompanhar as mudanças da violência.
A atualização também orienta sobre preservação de provas, como prints com data e hora, e o registro de ocorrências junto às plataformas digitais. A finalidade é facilitar encaminhamentos e o registro de boletim de ocorrência, quando a vítima desejar.
Impacto e dados recentes
As mudanças visam tornar mais claro o meio utilizado na agressão, a presença de conteúdos criados por inteligência artificial e a conexão da violência digital com violações já ocorridas. Isso gera dados mais qualificados para políticas públicas.
Em 2025, houve 9.079 denúncias com mais de 10 mil violações digitais. A maior parte foi registrada pela própria vítima, 6.614 casos. Mulheres negras representaram 48,0% dos registros, seguidas por pardas e pretas.
O perfil das vítimas também mostra padrão educacional: 25,7% tinham ensino médio completo e 45,9% estavam sem renda ou com renda de até um salário-mínimo. As informações reforçam a necessidade de políticas de proteção e apoio.
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