A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não haja suspensão da pesquisa AtlasIntel, que mostrou queda na intenção de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento foi divulgado em maio, após a revelação de que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. A decisão de suspender a divulgação foi tomada no começo do mês pelo ministro Nunes Marques.
A PGR sustenta que a intervenção da Justiça deve ser excepcional e ocorrer apenas quando uma pesquisa for comprovadamente parcial e houver evidências concretas de indução do eleitorado. O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa, afirma que o filtro deve ser técnico-jurídico e não pautado por consequências políticas.
Espinosa aponta que a impugnação de pesquisas não pode se basear apenas em insatisfação com o teor das perguntas ou com o método empregado. Segundo ele, não há incompatibilidade metodológica que justifique a suspensão nem violação às regras legais e normativas do TSE.
Entenda
Nunes Marques suspendeu a divulgação da AtlasIntel após alegar possível indução de respostas negativas ao apresentar mensagens em que o senador pedia dinheiro a Vorcaro para o longa Dark Horse. A AtlasIntel rebateu, dizendo ter mostrado as conversas aos entrevistados apenas após a conclusão do questionário principal sobre a intenção de voto.
O ministro do TSE também considerou que houve possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário. A AtlasIntel ressaltou que o áudio foi apresentado somente após o questionário principal ter sido finalizado e que outros institutos identificaram resultados semelhantes.
A AtlasIntel afirmou que o áudio foi reproduzido apenas no final do questionário, sem alterar respostas já registradas, e que a entrevista contou com uma página separada para registrar reações ao ouvir o áudio.
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