Renan Santos avança no cenário político com ataques a Lula e Bolsonaro, adotando um viés libertário inspirado em Milei. O pré-candidato pelo recém-criado partido Missão ganha destaque na direita e também atrai parte da esquerda, segundo especialistas.
Com presença marcante nas redes, ele defende redução radical do Estado e políticas de segurança duras, incluindo discussões sobre prisão perpétua e pena de morte. A estratégia mira consolidar o que ele apresenta como independência política dentro da direita.
A eleição tem pouco mais de 100 dias, e uma pesquisa recente mostra cenário de disputa acirrada. O levantamento Genial/Quaest, divulgado no dia 10, aponta Renan Santos com 3% no cenário estimulante de primeiro turno, empatado com Ronaldo Caiado.
Outros nomes aparecem com menor intensidade: Aécio Neves e Romeu Zema registram 2% cada. Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. O Missão surge como opção de “terceira via” que pode evoluir, segundo a sondagem.
Comparação com levantamento anterior mostra que Santos teve maior avanço quando o cenário é o segundo turno potencial contra Lula, saltando de 28% para 31%. Lula mantém 45% de apoio, segundo a Quaest.
O questionário ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e confiabilidade de 95%. O levantamento tem registro no TSE sob o código BR-07661/2026.
Cenário eleitoral e propostas
Em evento na Avenida Faria Lima, em São Paulo, Santos afirmou que a pesquisa reforça a viabilidade de sua candidatura e criticou Flávio Bolsonaro, sem entrar em disputas pessoais. Afirmou não aceitar o que chamou de meio-termo entre escândalos e corrupção.
No plano programático, o Missão defende a redução do Estado e uma agenda de segurança pública mais rigorosa, com discurso de enfrentamento direto a facções criminosas. A ideia inclui debates sobre a legalização de medidas extremas, segundo fontes consultadas.
Análise de especialistas
Para Wagner Gundim, professor e doutor em Direito Constitucional, a candidatura de Santos representa consolidação partidária, não apenas viabilidade eleitoral. Ele aponta que a liderança do jovem disruptivo chega em meio a lacunas na direita tradicional.
Segundo Gundim, o crescimento de Santos se explica pela mobilização de eleitorado jovem e pela percepção de uma alternativa à polarização entre PT e a família Bolsonaro. O Missão teria aproveitado uma infraestrutura de guerrilha digital herdada do MBL.
Samuel Oliveira, cientista político, avalia que a candidatura ainda não tem chance de vitória a curto prazo, mas já representa uma ameaça à organização interna da direita. Ele aponta avanço na comunicação estruturada do partido e projeção para ampliar base fora da bolha digital.
Entre na conversa da comunidade