O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou e retirou intimações que buscavam obrigar jornalistas do Washington Post e do Wall Street Journal a depor diante de um grande júri federal. A reversão ocorreu no início deste mês, após as empresas terem contestado as ordens, informou o Post nesta terça-feira, citando uma decisão judicial em segredo.
As intimações estavam relacionadas a reportagens sobre segurança nacional. A editora Ellen Nakashima, do Washington Post, recebeu a convocação pela cobertura de temas sensíveis do setor. O Wall Street Journal também foi alvo de documentos que solicitavam depoimentos de seus repórteres.
O Post contestou a intimação em um processo sigiloso no tribunal federal da Virgínia, Distrito Leste. O veículo pediu ao juiz a nulidade da convocação. Uma audiência fechada já havia ocorrido, mas o magistrado ainda não havia se pronunciado quando o DOJ decidiu retirar a intimação de Nakashima.
“A intimação injustificada da repórter Ellen Nakashima representa uma violação da liberdade de imprensa assegurada pela Constituição”, afirmou o Post em nota. A retirada ocorreu antes de uma decisão judicial sobre o tema.
Imprensa pressionada
Em 14 de janeiro, agentes do FBI realizaram buscas na casa da jornalista Hannah Natanson, do Post, em Alexandria, Virgínia. A operação investiga um administrador de sistemas, Aurelio Perez-Lugones, acusado de levar documentos secretos do governo para casa. Perez-Lugones foi preso em 8 de janeiro.
Durante a operação, a polícia apreendeu celulares, dois notebooks (um pessoal e outro do jornal) e um relógio digital de Natanson. Um juiz federal vendeu propostas que impediram o DOJ de examinar os aparelhos da jornalista.
No assunto de acesso à informação, o Pentágono anunciou, em setembro de 2025, normas que restringiram o acesso a jornalistas, exigindo que assinem compromisso de não divulgar informações não liberadas formalmente. As medidas geraram protestos de veículos de imprensa.
Contexto político
O ex-presidente Trump frequentemente critica a imprensa, a quem chama de Fake News, pela cobertura de seu governo. Em outubro, Trump moveu processo por difamação contra o The New York Times. A atuação do governo federal sobre jornalistas permanece em monitoramento pela mídia e por organizações de defesa da liberdade de imprensa.
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