Após quase dois anos no poder, Keir Starmer anunciou sua renúncia do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. O anúncio ocorreu em meio à instabilidade que virou marca do período recente, apesar da vitória histórica do Partido Trabalhista nas eleições de 2024, com 411 dos 650 assentos.
A saída ocorre num momento em que a popularidade de Starmer vinha em queda e até parlamentares do próprio partido defendiam o afastamento. Analistas ouvidos destacam que o ex-primeiro-ministro não apresentou um plano claro de governança, limitando a percepção de liderança eficaz.
Especialistas ressaltam que a crise reflete problemas estruturais ocorridos desde o referendo do Brexit, que deslocou a política britânica para frente de uma volatilidade contínua. A fragmentação entre temas econômicos, sociais e regionais dificulta a governabilidade.
Quem pode suceder
O principal favorito para assumir o cargo é Andy Burnham, atual prefeito de Manchester. Burnham encerrou seu mandato neste mês para concorrer a uma cadeira no Parlamento, abrindo caminho para a disputa de liderança no Partido Trabalhista, cuja votação está marcada para julho.
Segundo o pesquisador Kai Enno Lehmann, Burnham é considerado mais comunicativo que Starmer e acumulou resultados positivos na gestão municipal. Ainda assim, resta dúvida sobre diferenças reais na abordagem de políticas públicas em relação ao governo anterior.
Caso eleito, Burnham herdaria um partido com popularidade baixa e pressão por resultados rápidos. Analistas apontam que resta ver se há um projeto de governo capaz de enfrentar os desafios econômicos e políticos atuais do país.
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