Jaques Wagner deixou nesta quarta-feira a liderança do governo no Senado, após pressão associada a uma operação da Polícia Federal que o envolve no caso Master. A decisão ocorreu em meio a reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula, que avaliava a demissão do aliado, mas preferiu que o senador tomasse a iniciativa.
O episódio envolve suspeitas de recebimento de pagamentos ligados ao Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro. A defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão do ministro do STF, que autorizou busca e apreensão em endereços do senador. O objetivo é anular provas obtidas nesses endereços.
Lula, candidato à reeleição, pretende evitar que a campanha seja atingida pelo escândalo. A saída de Wagner era já considerada entre aliados como uma medida para preservar a gestão do PT diante das revelações. O governo teme impactos políticos no núcleo da base baiana.
A operação em curso, denominada Compliance Zero, apura corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Entre os alvos estão Augusto Lima, Eduardo Sodré Martins (enteado de Wagner e secretário no governo de Jerônimo Rodrigues) e o próprio Wagner. A investigação aponta pagamentos envolvendo o núcleo familiar do senador.
Segundo as investigações, houve pagamento de 3,5 milhões de reais de uma empresa ligada a Lima ao núcleo familiar de Wagner. Além disso, há relatos de um apartamento em Salvador avaliado em 2,5 milhões, viagens em jatos vinculados ao Master e ingressos para um show em Los Angeles, em 2023.
AGENTES também encontraram valores no exterior: US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador. Os investigadores estimam que as informações reforçam a proximidade entre Wagner e o grupo do Banco Master.
Desdobramentos
Aliados afirmam que Wagner já tinha manifestado desejo de deixar a liderança em outras ocasiões, mas Lula não havia aceitado. A defesa continua argumentando que há falhas nas provas e pode recorrer no STF caso seja mantida a decisão de afastamento.
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