O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, em Brasília. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira e ocorre dias após a Polícia Federal cumprir mandados na nona fase da operação Compliance Zero.
A PF investiga fraudes associadas ao Banco Master. Segundo as autoridades, Wagner seria beneficiário de valores elevados, como um apartamento de 2,4 milhões de reais, ingressos para shows internacionais, voos em aeronaves privadas e pagamentos de 3,5 milhões a empresas ligadas ao seu núcleo familiar.
Em rede social, Wagner disse ter decidido, em conversa entre amigos, afastar-se da liderança para dedicar-se à defesa e às investigações. Ele afirmou que a prioridade atual é provar a própria inocência e apoiar a reeleição de Lula.
Antes da operação, Wagner declarou que não pretendia deixar a liderança a menos que o presidente o solicitasse. Ele afirmou ter falado por telefone com Lula, que teria demonstrado solidariedade, conforme relato do senador.
A pressão de aliados do Planalto e a crise envolvendo o Master contribuíram para a saída do líder governista, segundo fontes próximas ao governo. Lula vinha defendendo apuração rigorosa de todos os envolvidos no caso, se comprovadas irregularidades.
Situação após a operação
Na ação policial, foram apreendidos US$ 49 mil, cerca de 250 mil reais em espécie e relógios de luxo no apartamento de Wagner. A defesa do senador informou que os valores correspondem a diárias pagas pelo Senado, segundo justificativa apresentada.
Wagner explicou que viajou ao exterior diversas vezes e recebeu aproximadamente 70 mil reais em diárias de 2019 até hoje. Parte do dinheiro, afirmou, veio de diárias pagas em dólar, entregues em envelopes com o timbre do Senado.
Sobre o apartamento, o senador afirmou ter pedido ajuda a Augusto Lima para adquirir o imóvel, destinado à filha; ele disse que a recompra viria posteriormente e negou transferências de patrimônio para si.
A defesa acionou o STF, pedindo a nulidade da operação, alegando erros graves e afirmando que o parlamentar não atuou para favorecer Vorcaro ou o Master. A ação continua sob análise.
Para o posto de líder no Senado, nomes avaliados entre aliados incluem Camilo Santana (PT-CE), segundo fontes do governo. A decisão final ainda não foi anunciada.
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