O fechamento do centro de detenção Alligator Alcatraz, no Everglades, gerou pedidos por apuração independente sobre danos ambientais causados pela instalação. Organizações ambientais e defensores dos direitos de imigrantes pedem avaliação das consequências no ecossistema e da vida útil da instalação, em operação de 12 meses.
Durante uma coletiva externa ao antigo centro, representantes da Friends of the Everglades, liderados por Eve Samples, qualificaram o complexo como um desperdício e uma violação ao patrimônio natural. A Miccosukee Tribe também participou, defendendo direitos tribais.
A demanda por investigação ganhou respaldo judicial, já que a FOE abriu processo em junho de 2025 para impedir a construção no local. A tribo Miccosukee juntou-se ao recurso para proteger comunidades próximas ao sítio, avaliado em 608 milhões de dólares.
Contaminação, iluminação e impactos ao habitat
Relatos apresentados em audiências federais em Miami detalham obras sem licenças, como pavimentação de 20 acres, além de novas cercas e iluminação intensa. A iluminação teria deslocado habitat de oncologia de panteras na região, afetando o deslocamento noturno dos animais.
Segundo a FOE, mesmo com o fechamento, materiais perigosos continuam a ser transportados para o local e resíduos humanos ainda são deixados na área, gerando preocupações sobre a gestão pós-encerramento.
Testemunho humano e contexto migratório
A atividade de testemunhas destacou o impacto humano das más condições no interior do centro. Ana María Hernández, diretora de engajamento cívico da Florida Immigrant Coalition, relatou casos de detenção prolongada e tratamento degradante de imigrantes sob custódia.
Hernández citou um caso específico, conhecido como Wilson, cidadão cubano que vivia com a família em Miami e teve prisão inesperada no Alligator Alcatraz. O relato descreve períodos de higiene irregular e falhas de controle, refletindo na confiança na imigração americana.
Wilson passou por transferências entre instalações no Texas, Louisiana e o próprio Everglades, com liberação apenas em junho. Hernández afirmou que a experiência abalou a percepção de justiça entre imigrantes com status legal.
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