Restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva, morto pela ditadura em 1972, foram sepultados nesta sexta-feira em São Paulo, 54 anos após a morte. O corpo, encontrado na vala de Perus, recebeu velório simbólico e o enterro ocorreu no Cemitério Dom Bosco, na sepultura 105, gleba 1, quadra 2. O ato reuniu familiares e representantes de órgãos públicos.
A cerimônia contou com a participação da família e de autoridades, que acompanharam o cortejo pelo cemitério ao som de uma canção emblemática da época. A sepultura foi cedida pela concessionária Cortel, que administra o cemitério. Uma placa foi instalada com foto de Grenaldo e texto sobre sua vida.
O enterro é resultado de ações da Cemdp, do MDHC, da Comissão de Familiares de São Paulo, da Cortel e do Caaf/Unifesp. O objetivo é reconhecer a memória, esclarecer a verdade e promover a reparação para as famílias de vítimas da repressão.
Memória e justiça
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, acompanhou a cerimônia e destacou o significado histórico do momento. Ela afirmou que o país avança na memória, na verdade, na reparação e na justiça, em especial no dia dedicado à luta contra a tortura.
A ministra também sublinhou que o governo continuará apoiando a identificação de mortos pela ditadura, já que o reconhecimento dos restos contribui para a reparação histórica. O trabalho envolve cooperação entre universidades e poderes públicos.
Para a Procuradoria da República, a cerimônia devolve dignidade às famílias e reforça o compromisso do Estado com a verdade. A professora Edson Teles, da Unifesp, ressaltou que a identificação das ossadas ajuda a compreender a violência estatal vivida no país.
O diretor da Cortel, Ricardo Polito, disse que o sepultamento representa memória, verdade e dignidade humana, além de encerrar uma longa espera. Outros representantes destacaram a importância da continuidade das ações de identificação e de memória pública.
Grenaldo era militar da Marinha, preso em 1964 e morto em Congonhas, em 1972, ao supostamente tentar capturar uma aeronave. A versão oficial na época apontava suicídio, mas investigações e reportagens posteriores indicaram execução por agentes do Estado.
A vala clandestina de Perus, descoberta em 1990 pelo jornalista Caco Barcellos, abriga ossadas de vítimas de violência de Estado. O trabalho de identificação teve recomeços ao longo dos anos, com avanços ainda limitados até hoje.
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