O uso de universidades públicas como palco para vídeos de confronto tem sido registrado por políticos e influenciadores de direita. As gravações, feitas em espaços da USP e outras instituições, visam viralizar conteúdos nas redes sociais com perguntas provocativas sobre temas como aborto, religião e sexualidade. A prática é apresentada pelos autores como forma de ampliar o debate no ambiente universitário.
Entre os protagonistas, está o vereador Lucas Pavanato, do PL, que ganhou notoriedade com vídeos na USP. Em um dos episódios, ele propõe debates acalorados com estudantes, buscando fortalecer a presença conservadora nesses espaços. Outras figuras, como Victor Ruiz, também publicam conteúdos similares, com foco em números altos de engajamento.
Especialistas ouvidos pelo veículo de imprensa destacam que o formato se aproxima da lógica de gerar caos para obter visibilidade, em vez de promover um debate objetivo. Cientistas políticos afirmam que o conteúdo costuma ser editado para favorecer o viral, independentemente da repercussão positiva ou negativa.
A prática, segundo as análises, envolve custos com equipe, equipamentos e deslocamentos, configurando produção de conteúdo repetida. Em alguns casos, houve desdobramentos legais, como indenização por uso indevido de imagens. A estratégia é associada ao movimento que estimulou esse formato no passado, com base em experiências políticas anteriores.
Para a comunidade acadêmica, a linguagem de confronto esbarra na ideia de pluralidade de ideias que deve predominar nas universidades públicas. Representantes da USP afirmam que o espaço é laico, público e aberto ao debate, dentro das normas legais, com atuação da Guarda Universitária voltada à mediação de conflitos.
Professores e estudantes ressaltam que o conhecimento nasce da interação entre diversas vozes dentro da universidade. A diretoria do DCE da USP destaca que a produção de conteúdo político não deve prejudicar o ambiente acadêmico nem reduzir o objetivo de formação estudantil a disputas midiáticas.
A USP reforça que não impede a entrada de pessoas, desde que haja respaldo jurídico, e que a instituição atua seguindo sua competência legal. A instituição não vê censura prévia, mas aponta limites na conduta de eventuais atividades que ocorram dentro de seus campi.
Entre na conversa da comunidade