Em notícia recente, a BBC News Brasil, com apoio de um laboratório da UFES, analisou mais de 5 mil publicações dos últimos três meses nas redes X, Instagram e TikTok para entender o papel dos EUA na pré-campanha brasileira. O estudo aponta que temas como Trump, Pix e facções criminosas tiveram alto engajamento, influenciando o conteúdo de Lula, Flávio Bolsonaro e outros pré-candidatos.
O levantamento mostra que as publicações com relação aos Estados Unidos atingiram picos de interação acima de quatro dezenas em comparação com conteúdos de perfis semelhantes. O efeito é mais expressivo entre os candidatos que lideram as pesquisas, com Lula e Flávio Bolsonaro tendo maior frequência de menções ao tema.
Entre os fatores centrais, o Pix, investigações comerciais e a classificação de facções como terroristas aparecem entre os conteúdos com maior repercussão. O estudo analisou perfis de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Engajamento por candidato
Flávio Bolsonaro figura com o maior número de interações no X e no Instagram, enquanto Renan Santos lidera no TikTok. Lula é o principal beneficiário do discurso sobre soberania nacional em todas as plataformas analisadas, com posts que lembram a defesa de interesses nacionais.
A pesquisa também aponta que uma publicação de Lula em 2 de junho, associando o tema ao Pix, gerou grande alcance no X. O conteúdo ocorreu após notícias sobre uma possível investigação comercial norte-americana contra o Brasil. O estudo cita ainda um discurso de Lula em Catalão, Goiás, que abordou críticas a aliados de Bolsonaro.
Contexto e leitura de cenário
Segundo especialistas citados, os vídeos ganharam destaque e ampliaram o alcance das mensagens dos presidenciáveis. A presença de temas dos EUA funciona como marcador de posição político, especialmente em ambientes de forte polarização. A disputa, no entanto, envolve também a agenda de segurança pública defendida pela direita.
Além disso, analistas destacam que o eleitor do meio é quem está mais suscetível a esse tipo de conteúdo, pois pode ser influenciado por temas transversais que transpassam as redes para o cotidiano. O estudo indica que o impacto eleitoral ainda depende de como esses temas chegam a eleitores menos engajados.
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