O governo brasileiro pediu desculpas pelos crimes cometidos durante a ditadura, reconhecendo a responsabilidade do Estado no desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno de Direito da UnB. O ato ocorreu quase 45 anos após o ocorrido, durante uma cerimônia na Universidade de Brasília. A fala oficial reforçou a reparação à família direta e à sociedade.
Paulo de Tarso tinha 27 anos na época do desaparecimento, em 12 de julho de 1971, no Rio de Janeiro. Ele foi capturado junto com Heleny Guariba por agentes do DOI-CODI do Exército e levado a uma unidade mantida pelo CIE em Petrópolis, conhecida como Casa da Morte, onde houve torturas. A família e a comunidade acadêmica acompanharam o ato.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania destacou que a reparação simbólica integra um conjunto de ações governamentais voltadas à memória, à verdade e à reparação de vítimas da ditadura. A cerimônia contou com familiares, ex-colegas da UnB, instituições de memória e comissões oficiais.
Responsabilidade do Estado
Durante a cerimônia, a ministra Janine Melo anunciou oficialmente o reconhecimento da responsabilidade do Estado pelas violações de direitos humanos ocorridas no período. A ministra ressaltou que o país precisa manter viva a memória de Paulo de Tarso e de outras vítimas para o acesso à verdade histórica e ao luto próprio das famílias.
Além disso, a ministra, que também é ex-aluna da UnB, destacou que o ato faz parte de um conjunto de medidas públicas voltadas à reparação simbólica e ao fortalecimento de políticas de memória e verdade no Brasil. Ela enfatizou que os efeitos da ditadura ainda se fazem sentir, mesmo após a redemocratização.
Memória e defesa de autonomia universitária
A reitora da UnB, Rozana Naves, relembrou as agressões contra as universidades durante o regime militar e afirmou que a memória de Paulo de Tarso defende a liberdade de pensamento e a autonomia acadêmica. Ela ressaltou o papel da educação pública na construção democrática e na defesa da participação estudantil.
Rozana enfatizou que a memória da violência de Estado não se encerra, mas guia a defesa da liberdade acadêmica, da pesquisa independente e do compromisso com a sociedade. O ato reforçou a importância da memória como instrumento de justiça, sem expressar opiniões pessoais durante o texto.
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