O sentimento de autocensura cresce entre os brasileiros, segundo estudo do Instituto Sivis, voltado à liberdade de expressão. A pesquisa aponta que 38,2% dos brasileiros evitam participar de conversas políticas com familiares pelo menos uma vez por mês, e 20% o fazem com frequência. Nas redes sociais, 32,5% se autocensuram mensalmente, com 14,9% usando esse recurso com frequência.
A explicação envolve dois fatores. Primeiro, o linchamento público em mídias digitais, quando opiniões contrariam determinados grupos, gerando ataques virulentos. Segundo, o receio de sofrer cancelamento online, que impacta celebridades, influenciadores e o público em geral. Estudos indicam que o medo de retaliação molda o comportamento de comunicação.
Outra linha de análise envolve decisões de autoridades. Em março de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca na residência do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, apreendendo computador e celulares. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, investigava suposta perseguição ao ministro Flávio Dino; o jornalista havia publicado reportagens sobre uso de um SUV blindado pela família de Dino.
Participar de grupos de WhatsApp também passou a ser objeto de atenção institucional. O caso conhecido como Vaza Toga mostrou que determinadas ações do STF podem depender de informações obtidas em redes sociais e conversas privadas para fundamentar relatórios contra alvos específicos. A somatória desses fatos alimenta um efeito perceptível na população: a menor expressão pública.
Especialistas destacam que, mesmo sem ordem formal, o custo de se expressar torna-se alto diante de exemplos repetidos de consequências legais ou profissionais. A autocensura, segundo o entendimento de especialistas, é o resultado de um ambiente em que certas opiniões têm impacto concreto, principalmente quando a Suprema Corte aparece como fonte desses sinais.
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