Dois elementos-chave emergem da investigação: uma rede de 28 contas administradas no Sri Lanka que somam cerca de 1 milhão de seguidores e que veicula conteúdo político brasileiro, com foco em Bolsonaro, além de vídeos que elogiam Lula. A maioria utiliza imagens geradas por IA para ilustrar as postagens.
O material foi produzido com alta coordenação e, segundo o verificador, há indícios de operação coordenada. Perfis usados por administradores no Sri Lanka difundem conteúdo favorável ao clã Bolsonaro, mas também exibem vídeos mencionando Lula. A motivação seria financeira.
A apuração mostrou que as páginas foram criadas ou tiveram mudanças de nomes entre 2025 e 2026. Em alguns casos, descrições e idiomas sugerem atuação para públicos internacionais, mesmo com alvo principal no Brasil. A Meta informa políticas de monetização usadas para remunerar criadores com base em visualizações e engajamento.
Como operam as contas
O estudo aponta que muitas postagens trazem perguntas aos seguidores e pedidos de reação para ampliar a viralização. Legendas sobrepostas a imagens funcionam como chamadas à ação. Nomes em inglês aparecem em grande parte, com conteúdos em inglês, espanhol e árabe.
Dados de localização fornecidos pelos administradores são inconsistentes com os locais informados. Páginas marcadas como em São Paulo aparecem com endereços diferentes na prática, o que sugere uso de dados falsos para parecer gerida por brasileiros.
Implicações e contexto
Especialistas indicam que a prática não é nova, mas ressalta o uso de IA para massificar conteúdos com fins financeiros. A equação envolve monetização pela plataforma, IA para gerar material e público-alvo em países com maior retorno financeiro.
A legislação brasileira, incluindo resolução do TSE de 2024, proíbe a difusão de informações falsas ou descontextualizadas com foco em prejudicar ou favorecer candidaturas. Plataformas podem ser responsabilizadas por conteúdos de contas estrangeiras.
A discussão pública sobre desinformação ganha peso conforme as eleições se aproximam. Pesquisadores destacam que conteúdos sintéticos podem engajar usuários que não reconhecem a natureza artificial dos vídeos, amplificando mensagens sem evidências.
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