O movimento de sindicalização na DeepMind, braço de IA do Google, começou a enfrentar dificuldades na primeira rodada de negociações, realizada na quarta-feira. Representantes sindicais, funcionários envolvidos e o árbitro independente participaram, mas não houve presença de líderes seniores da DeepMind. O encontro ocorreu em Londres, mediado por um órgão externo.
Os representantes sindicais defendem o reconhecimento da CWU e da Unite the Union como interlocutores oficiais. A DeepMind afirma que a etapa inicial é definir quem as entidades pretendem representar e que as próximas ações foram acordadas entre as partes. A reunião contou com representantes de RH da empresa e do sindicato, além do árbitro.
Durante a sessão, um funcionário leu uma carta de apoio à sindicalização, conforme apurado pela WIRED. A carta descreve falas de diálogo considerado inadequado pela empresa e aponta supressão de debates abertos por meio de restrições em canais internos de comunicação. Fontes próximas relatam interrupções por parte do RH durante a leitura.
Segundo relatos, a carta também acusa a empresa de restringir respostas a comunicações gerais sobre a mobilização e de aplicar reprimendas a colegas que tentaram contornar restrições. Um funcionário envolvido no texto opinou que tais medidas configuram técnicas de desencorajamento associadas a ações sindicais.
A DeepMind divulgou que continuará o diálogo de forma construtiva e manterá abertos os canais de comunicação com os funcionários para temas pertinentes ao processo. A companhia disse que houve participação adequada de representantes durante o encontro inicial.
A mobilização teve início em fevereiro de 2025, após a Alphabet alterar diretrizes de ética, removendo promessas anteriores relacionadas a uso de IA para vigilância ou armamentos. Funcionários destacam preocupações com a militarização de modelos de IA.
Também há antecedentes no setor: em fevereiro, membros de DeepMind e de outros laboratórios assinaram carta em apoio à Anthropic, em razão de tensões com o uso de IA em domínios de defesa. Relatos apontam que a Alphabet assinou acordos com vários governos para uso de IA em redes classificadas, tema alvo de debates internos.
Caso as negociações não avancem, o representante da CWU indica a possibilidade de pedir a arbitragem para obrigar o reconhecimento das entidades sindicais pela Google DeepMind. O movimento visa buscar um acordo que reconheça as organizações desde o início do processo de negociação.
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