O escritório de advocacia ligado à ministra do Superior Tribunal Militar Verônica Sterman recebeu, no fim de 2024, um pagamento de 700 mil reais de uma empresa de tecnologia. Em janeiro deste ano, o suposto dono da firma revelou à Polícia Civil de São Paulo que era apenas um laranja, tendo vendido seus dados por 5 mil reais para a abertura do CNPJ.
A firma envolvida é a ACX ITC Serviços de Tecnologia. Ela figura no relatório da CPMI do INSS como parte de uma rede de lavagem de dinheiro associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A rede, que envolve mais de 40 firmas, movimentou cerca de 39 bilhões de reais.
No papel, a ACX ITC tem capital declarado de pouco mais de 100 milhões de reais. O dono oficial é Ericsson de Azevedo, 50 anos, morador do Jaçanã, em São Paulo. Em depoimento, ele disse não ter sido proprietário da ACX ITC e confirmou ter fornecido seus dados em 2021 para a abertura da empresa, recebendo 5 mil reais.
Contexto da rede e ligações
Segundo o depoimento, os pagamentos ao escritório de Verônica Sterman teriam ocorrido por meio de uma conta da ACX ITC no Banco do Brasil, aberta em São Caetano do Sul (SP). A advogada afirmou ter elaborado três pareceres jurídicos sobre temas criminais envolvendo a empresa.
A ACX ITC também aparece ligada a outras operações, incluindo pagamentos de 595 mil reais ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro. Relatórios do Coaf mencionam três lançamentos entre 2023 e 2024, somando 445 mil reais, com um saque de 150 mil reais feito por meio de cheque após a saída de Cordeiro do STJ.
A investigação da Operação Saturno, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em outubro de 2025, aponta fortes indícios de envolvimento da ACX ITC com recursos de origem ilícita. O delegado responsável cita a empresa como possível integrante de uma estrutura para ocultação e dissimulação de valores.
Investigações e desdobramentos
O relatório final da operação foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público de São Paulo em maio. De acordo com o delegado, a empresa movimentou cerca de 918,3 milhões de reais nesse período. O caso envolve ainda vínculos com entidades sancionadas nos EUA pela relação com o PCC.
O Ministério Público também apontou que grande parte dos investigados já figura em apurações na Justiça Federal, envolvendo crimes financeiros complexos, lavagem de capitais e fraudes de alcance interestadual. A promotora Ana Carolina Welligton Costa Gomes solicitou o encaminhamento do caso à Justiça Federal.
Entre na conversa da comunidade