Empresas ligadas a Victor Henrique de Oliveira Shimada, brasileiro sancionado pelos EUA, receberam ao menos 27 milhões de reais de uma firma ligada ao tráfico de drogas na Baixada Santista. A informação consta de relatório da Polícia Civil de São Paulo encaminhado à Justiça Federal. Shimada foi alvo de sanções norte-americanas na quarta-feira (1º).
A PF cumpre 11 prisões temporárias e 13 buscas e apreensões, autorizadas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Os mandados atingem endereços na capital, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Há ainda o sequestro de bens, valores e criptoativos de até 10,4 bilhões de reais.
Segundo a investigação, o esquema envolve tráfico de drogas e lavagem de dinheiro praticados pelo PCC. A apuração aponta que a empresa BSA Alimentos recebeu valores que, por meio de transferências, seriam vinculados a operações financeiras ilícitas.
Envolvidos e vínculos
A Victory Trading, na qual Shimada é sócio-administrador, recebeu 25,4 milhões de reais da BSA Alimentos entre 2023 e 2024. Já a Wave Intermediações e Tecnologia teria recebido 1,8 milhão, segundo os levantamentos. Shimada não é formalmente sócio, mas é apontado como controlador da Wave.
A investigação indica que um operador foi utilizado como “laranja” para figurar como representante da Wave. A defesa de Shimada afirma que deve se pronunciar após reunião com o empresário e pode avaliar a entrega às autoridades.
Histórico do caso e desdobramentos
A apuração teve início em 2024, com a prisão em flagrante de um suspeito ligado ao tráfico, o que levou a novas prisões. O inquérito também envolve empresas ligadas a patrocínios esportivos e operações de agenciamento de jogadores investigadas em outros desdobramentos da PF.
A defesa de Shimada negou qualquer relação com organizações criminosas na comunicação publicada na imprensa na véspera. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam as apurações sobre os supostos vínculos entre as empresas e o esquema de lavagem de dinheiro.
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