Keiko Fujimori foi proclamada presidente eleita do Peru após a votação de 3 de junho, quase um mês após o segundo turno. A margem de vitória foi de 49,865% para Sánchez e 50,135% para Keiko, segundo o Onpe (Órgão Eleitoral Nacional). O resultado consolidou a guinada à direita em um pleito polarizado.
A diferença entre os candidatos veio acompanhada de contestações judiciais sobre a apuração dos votos. O cenário manteve o Peru dividido, com a ex-deputada mantendo o apoio de parte significativa do país rural, enquanto a capital Lima e áreas urbanas favoreceram a adversária.
Keiko é heredera política do regime de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000. A atuação do pai, marcada pelo autogolpe de 1992, influencia a avaliação pública sobre a candidata. A população também associou a imagem de Keiko à continuidade de um projeto de segurança e ordem.
A atuação de Keiko no Congresso, entre 2006 e 2011, foi relevante para consolidar apoio político para o Força Popular, hoje a maior bancada na Câmara (41 de 130) e no Senado (22 de 60). A influência institucional foi decisiva para o caminho rumo ao poder.
Keiko enfrentou crises e controvérsias ao longo da trajetória. Em 2018 e 2019 chegou a ficar mais de um ano presa sob acusações de recebimento de subornos da Odebrecht, situação que não a impediu de seguir na candidatura presidencial. Ela já foi eleita deputada e lidera o partido desde então.
Duas frentes de desafio marcarão o mandato: manter base de apoio no Legislativo e reduzir a impopularidade pública. A eleição encerra uma década de instabilidade política, com nove presidentes na Casa de Pizarro e ciclos de protestos frequentes.
Em discurso de campanha, Keiko falou em diálogo e construção de pontes para superar a divisão política. O pleito evidencia a complexa relação entre a memória do legado Fujimori e a expectativa de governabilidade em um país com forte waking de descontentamento social.
Apenas quatro dias após as eleições, a avaliação pública virou em grande parte para o apoio à nova presidente, refletindo o peso do apoio externo e das regiões rurais. Resta acompanhar como a gestão lidará com opositores e com as demandas por reformas.
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