O governo brasileiro ainda tenta evitar ou postergar a aplicação de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse à BBC News Brasil que o Brasil busca um acordo para adiar a entrada em vigor das tarifas, enquanto critica politicamente o senador Flávio Bolsonaro. A investigação de 301 da Lei de Comércio dos EUA envolve tarifas potencialmente de 25% sobre produtos brasileiros.
Flávio Bolsonaro está marcado para participar de uma audiência pública em Washington na próxima semana, no âmbito das investigações 301. O ministro Rosa afirma que a ida do senador pode servir a um ganho político, além de tentar influenciar a negociação. Ele classifica a atuação de Flávio, Eduardo Bolsonaro e outros apoiadores como controversa para as tratativas comerciais.
Riscos e possibilidades
Segundo Rosa, o governo trabalha com várias hipóteses. Pode ocorrer um acordo para evitar o tarifaço, pode haver atraso na decisão final ou, ainda, a aplicação das tarifas. O ministro afirma que não há tempo para um acordo amplo, mas que o governo permanece aberto a negociações e a medidas para mitigar impactos.
Posição do governo e medidas
Rosa disse que o Brasil não está descolado das negociações bilaterais, mas que houve resistência devido a fatores ideológicos. O governo federal tem projetos para atenuar impactos caso as tarifas sejam aplicadas, incluindo o programa Brasil Soberano e ações da Apex para diversificar mercados.
Impactos previstos
A depender do cenário, o tarifaço pode afetar até 25% das exportações brasileiras para os EUA. Em setores com grande participação de mão de obra, como calçados, o impacto pode exigir demissões caso o mercado norte-americano seja perdido. O governo planeja apoiar empresas com apoio a exportadores e diversificação de mercados.
Propostas e próximos passos
O governo aponta a possibilidade de manter uma linha de negociação com os EUA e, ao mesmo tempo, preparar respostas internas. Em junho, o USTR indicou o caráter controverso de algumas práticas brasileiras, incluindo Pix e decisões judiciais que afetam plataformas digitais, segundo a visão americana.
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