A pesquisa da AtlasIntel, para a Bloomberg News, mostra desgaste do presidente argentino Javier Milei após o escândalo envolvendo seu ex-chefe de gabinete. O levantamento foi divulgado dias após a renúncia do assessor. Aproximadamente 99% dos entrevistados estavam cientes do caso.
Mais de 80% acreditam que Manuel Adorni provavelmente ou muito provavelmente cometeu irregularidades financeiras ligadas ao seu patrimônio. Enquanto isso, pouco mais da metade considera o episódio como responsável por abalar a credibilidade do governo Milei.
Quase 70% avaliam que a resposta do Poder Executivo foi ruim ou muito ruim, e cerca de 50% apontam impacto grave sobre Milei. A avaliação de aprovação do presidente caiu para 39,7% em junho, segundo a AtlasIntel.
Contexto e desdobramentos
Adorni é investigado por compras de imóveis e viagens de luxo incompatíveis com salário modesto. A apuração começou em março, após fotos da esposa dele, sem cargo público, viajando no jato presidencial para Nova York.
Explicações passaram por diferentes versões, inclusive a de que a riqueza advinha de uma aposta em Bitcoin feita há cerca de uma década. Em seguida, foi revelado que ele gastou uma fortuna em equipamento de videogame, conforme o jornal La Nación.
Adorni renunciou no dia seguinte à reportagem. Diego Santilli assumiu a chefia de gabinete, substituindo-o, em uma mudança considerada significativa pelo governo. Santilli é visto como figura associada a um novo eixo político dentro da gestão Milei.
Percepção pública e cenário político
Patricia Bullrich, líder do Senado, ganhou imagem mais positiva na pesquisa, com avanço de seis pontos percentuais. Milei manteve a defesa pública de Adorni por parte de alguns integrantes do governo.
Santilli, ao assumir, ficou atrás apenas do ministro da Economia, Luis Caputo, entre os pontos positivos no gabinete. Mesmo com a troca, a avaliação geral sobre a gestão do escândalo manteve-se de certa forma estável entre setores da oposição.
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