A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou Jair Bolsonaro, então presidente, sobre sua decisão de divulgar um vídeo em que afirma ter sido maltratada e humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro. Também ficou acertado que ela deixaria a presidência do PL Mulher e interromperia a promoção de aliados entre os enteados Carlos, Eduardo e Jair Renan nas redes.
Conforme relatos de amigas de Michelle, o roteiro do vídeo começou a ser elaborado ainda no fim de março. A tensão familiar vinha se intensificando desde o fim de 2023, quando a cúpula da família passou a disputar alianças eleitorais e a definir nomes de candidatos.
A representante de Michelle afirmou que a ex-primeira-dama considerava deixar o PL e abandonar a campanha ao Senado em função do atrito familiar. Embora a confirmação de não concorrer não seja definitiva, há a expectativa de que Michelle não apoiará Flávio Bolsonaro, o que pode impactar a base dele.
Contexto político e eleitoral
Dados da AtlasIntel/Boomberg indicam recuo de Flávio Bolsonaro entre o eleitorado feminino. Em maio, ele ficava tecnicamente empatado com Lula entre as mulheres, mas agora Lula aparece com vantagem de 50,1% a 35,1% para Flávio.
Diante de críticas do blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, sobre a influência feminina no voto e citando Michelle, a campanha do senador divulgou nota na última quarta-feira repudiando as declarações. Damares Alves reagiu com um aceno crítico.
Repercussões institucionais
Damares, senadora e autora de discursos sobre violência política contra mulheres, afirmou que o silêncio de homens que não defendem as adversas é conivência. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também participou das conversas sobre o tema.
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