O esforço do governo para atrair trabalhadores de aplicativos tem enfrentado ceticismo entre a base da categoria. Em meio a movimento do presidente Lula, percebe-se falha em avançar um ponto crucial: a definição de uma tarifa mínima por corrida e a remuneração dos profissionais.
Trabalhadores ouvidos pela imprensa divergem sobre as medidas recentes da gestão, mas apontam como comum a necessidade de um piso salarial para o serviço. A atuação ganhou contornos após a entrada de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência, ampliando a agenda voltada ao tema.
Dados de 2024 do IBGE indicam que o segmento soma 1,7 milhão de trabalhadores, entre motoristas, entregadores e prestadores de serviços diversos. A maior parte são homens, pretos ou pardos, com idade entre 25 e 39 anos e renda média de quase 3 mil reais.
Medidas do governo
Entre as ações destacadas, está a exigência de transparência de valores repassados pelas plataformas aos trabalhadores, medida anunciada em março, ainda não plenamente cumprida por algumas empresas. Além disso, há linhas de crédito para aquisição de veículos: 30 bilhões de reais para carros e 4 bilhões para motos.
O BNDES também anunciou financiamento de 340 milhões de reais para reduzir o custo de bicicletas elétricas usadas por entregadores. Em paralelo, o governo planeja criar cem pontos de apoio até o fim do ano, com estruturas como televisão, áreas de descanso e banheiros, com investimento encaminhado pela Fundação Banco do Brasil.
Pontos de apoio e percepção dos trabalhadores
O primeiro ponto de apoio, instalado em Mauá, na Grande São Paulo, foi entregue no fim de junho. O espaço inclui itens básicos de conforto, mas o custo do projeto não foi informado oficialmente. Trabalhadores relatam que a iniciativa é bem-vinda, ainda que não substitua medidas estruturais.
Entregadores próximos ao local relatam que conhecem as opções de financiamento disponíveis, mas descrentes de outras ações do governo. Alguns afirmam não acompanhar novidades da gestão e destacam a falta de divulgação para a categoria como fator de desconfiança.
Entre os profissionais, há percepção de que a pauta de regulamentação fica associada a impostos, o que gera resistência. Em pesquisas, parte da categoria indica apoio a uma tarifa mínima, enquanto outros se mantêm em posição de não alinhamento com escolha política definida.
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