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TSE retoma julgamento que pode aumentar Fundo Eleitoral do PT

Partido questiona número de cadeiras considerado no cálculo que define sua parcela do FEFC e pede revisão do valor a ser distribuído

Tribunal Superior Eleitoral retoma julgamento de ação do PT que pede revisão da distribuição do Fundo Eleitoral
Tribunal Superior Eleitoral retoma julgamento de ação do PT que pede revisão da distribuição do Fundo Eleitoral (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira (18) o julgamento de uma petição apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que questiona o cálculo usado para definir a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) nas eleições de 2026. A legenda sustenta que sua bancada na Câmara dos Deputados deveria ter sido considerada com 69 representantes, e não 68, o que aumentaria sua parcela do Fundo Eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira (18) o julgamento de uma petição apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que questiona o cálculo usado para definir a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) nas eleições de 2026. A legenda sustenta que sua bancada na Câmara dos Deputados deveria ter sido considerada com 69 representantes, e não 68, o que aumentaria sua parcela do Fundo Eleitoral.

O julgamento foi interrompido na última quinta-feira (13), após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Antes da suspensão, o relator do processo e presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, votou contra o pedido do PT. A sessão plenária que analisa o caso deve começar às 19h (de Brasília).

A discussão ocorre após o início do período oficial de campanha. Desde 16 de agosto, com a liberação da propaganda eleitoral, os partidos estão autorizados a receber os recursos do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas.

Em 2026, o FEFC terá R$ 4,96 bilhões. O montante é praticamente o triplo do valor destinado na primeira eleição em que o fundo foi utilizado, em 2018, quando foram disponibilizados cerca de R$ 1,7 bilhão.

+ Veja quanto cada partido receberá do Fundo Eleitoral em 2026

O que o PT questiona

O PT argumenta que o cálculo realizado pelo TSE desconsiderou uma cadeira que, segundo a legenda, deveria integrar sua bancada para a definição da parcela do Fundo Eleitoral vinculada ao número de deputados federais eleitos.

A divergência surgiu após uma mudança na composição da bancada de Alagoas. O deputado federal Paulão (PT-AL) perdeu o mandato depois que a Justiça Eleitoral anulou os votos de João Catunda (PP) — o que alterou o quociente eleitoral, exigiu uma nova totalização dos resultados de 2022 e modificou a distribuição das cadeiras. Com a retotalização, Paulão deixou a Câmara e Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) assumiu a vaga.

O caso, porém, passou por uma nova decisão judicial. Em maio, o ministro Dias Toffoli determinou a suspensão do processo relacionado ao mandato de Paulão. O PT sustenta que, diante dessa suspensão, o deputado deveria ser considerado na composição da bancada utilizada para calcular a distribuição do FEFC.

+ Empresas podem doar para campanhas nas eleições? Entenda as regras

Repasse do Fundo Eleitoral está parcialmente travado

A decisão do TSE terá impacto não apenas sobre o PT. Isso porque 48% do FEFC (cerca de R$ 2,3 bilhões) são distribuídos entre os partidos de acordo com o número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados.

Enquanto o julgamento não for concluído, essa parcela do Fundo Eleitoral permanece sem distribuição, deixando as legendas e campanhas à espera da liberação dos recursos para financiar suas atividades, como, por exemplo, comícios e panfletagens.

Na sessão da última quinta-feira, Nunes Marques alertou que alterar o número de deputados do PT poderia modificar também os valores destinados às demais legendas.

“Enquanto não concluir esse julgamento, não será distribuído absolutamente nada de 48% para nenhum dos partidos, pois essa decisão pode impactar nos demais partidos. Não estamos tratando de só um partido, estamos tratando de todos os partidos“, afirmou Nunes Marques.

Caso o TSE acolha a petição da legenda e refaça o cálculo, o valor destinado ao PT deve subir de aproximadamente R$ 615,4 milhões para cerca de R$ 620 milhões — um acréscimo de aproximadamente R$ 5 milhões.

Como funciona a distribuição

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é formado por recursos públicos destinados às campanhas eleitorais. O dinheiro é distribuído inicialmente aos partidos, que posteriormente definem os critérios para repassá-lo às candidaturas.

A divisão do FEFC segue quatro critérios previstos na legislação eleitoral:

  • 2% são repartidos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE;
  • 35% são distribuídos proporcionalmente à votação de cada legenda para a Câmara dos Deputados na última eleição geral;
  • 48% levam em conta o número de representantes eleitos por cada partido para a Câmara;
  • 15% consideram a representação das legendas no Senado Federal.

Em 2026, o valor total do FEFC é de R$ 4.961.519.777. O PL receberá a maior parcela, de aproximadamente R$ 881,7 milhões. O PT aparece em segundo lugar, com cerca de R$ 615,4 milhões, seguido pelo União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Juntos, os três partidos concentram aproximadamente 40% dos recursos do fundo.

 

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