A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), que analisou a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, ganhou destaque na imprensa internacional. Veículos trataram o episódio como um dos momentos de maior tensão já enfrentados pela Corte e destacaram os reflexos políticos do caso às vésperas das eleições de outubro.
A sessão extraordinária foi convocada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, depois que ele assumiu a relatoria do processo relacionado ao caso Banco Master. Fachin havia determinado a retirada de André Mendonça da condução do caso e convocado o julgamento para o plenário.
O julgamento começou com a leitura do relatório da Polícia Federal e se estendeu por mais de seis horas. Ao longo da sessão, houve confrontos públicos entre Moraes e Mendonça, além de manifestações de outros ministros.
“Crise sem precedentes”
A Associated Press, em texto publicado pela ABC News e também reproduzido pelo Washington Post, descreveu o Supremo como estando em uma “crise sem precedentes”. A agência destacou o cancelamento de sessões, decisões de ministros que se sobrepõem e suspeitas envolvendo integrantes da Corte em um momento próximo à eleição presidencial.
O texto também afirma que o conflito envolve ministros percebidos como integrantes de lados distintos do espectro político brasileiro e relaciona a crise ao caso Banco Master, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e políticos e integrantes do Judiciário.
A AP também destacou que o caso ganhou dimensão eleitoral porque Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta associar Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador, por sua vez, também é investigado no âmbito do caso Banco Master e nega irregularidades.
El País destaca confronto entre ministros
O jornal espanhol El País deu destaque aos confrontos ocorridos durante a sessão. Segundo o veículo, a reunião foi marcada por “insultos e invectivas” entre os ministros e terminou sem que o plenário chegasse a analisar efetivamente se deveria abrir a investigação contra Moraes.
O jornal também destacou a troca de acusações entre Moraes e Mendonça. Durante o julgamento, Moraes afirmou que era alvo de perseguição e acusou o colega de solicitar à Polícia Federal um relatório que classificou como ilegal e inconstitucional.
O El País também chamou atenção para a manifestação da ministra Cármen Lúcia, que declarou estar “envergonhada” com a crise que atingia o tribunal.
The Guardian fala em “disputa feroz”
No Reino Unido, The Guardian descreveu o episódio como uma “disputa feroz” dentro do Supremo e destacou que o conflito entre Moraes e Mendonça ocorreu poucas semanas antes da eleição presidencial.
O jornal reproduziu parte dos confrontos ocorridos no plenário. Em uma das discussões, Moraes acusou Mendonça de estar a serviço de um grupo político que, segundo ele, tentou promover um golpe no país. Mendonça respondeu: “É mentira!”
O Guardian também registrou uma discussão entre Mendonça e Gilmar Mendes. Gilmar acusou o colega de usar o trabalho do tribunal para provocar instabilidade política e influenciar a eleição. Mendonça respondeu pedindo respeito, e Gilmar retrucou: “Respeito se conquista, não se dá.”
O veículo relacionou ainda o conflito ao caso Banco Master, que, segundo a publicação, passou a envolver integrantes das elites política e judicial brasileiras.
Reuters destaca caráter inédito
A Reuters tratou o julgamento como uma audiência histórica porque discutia a possibilidade de investigar um ministro em exercício do próprio Supremo.
Antes da sessão, a agência destacou as mensagens atribuídas pela Polícia Federal a Vorcaro e a existência de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes. O ministro nega irregularidades e acusou Mendonça de abuso de autoridade ao divulgar o material.
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Crise no STF
A investigação envolve Daniel Vorcaro, preso preventivamente, e alcançou políticos e integrantes do Judiciário. No caso de Moraes, a Polícia Federal identificou supostas mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro, enquanto documentos tornados públicos também mostram o contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do magistrado.
Moraes nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações contra ele fazem parte de uma perseguição política.
O caso também atingiu Flávio Bolsonaro, que é investigado por suspeitas relacionadas a operações envolvendo Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador admite a relação com o banqueiro, mas nega irregularidades.
Na semana passada, Fachin determinou a abertura de documentos relacionados ao caso Banco Master e assumiu a relatoria de processos que estavam sob responsabilidade de outros ministros. O presidente do STF também convocou a sessão extraordinária desta terça-feira.
Apesar da expectativa em torno de uma possível decisão sobre a abertura da investigação contra Moraes, o STF terminou a sessão desta terça sem concluir essa análise.
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