Todas as legendas rivais apoiam as políticas de Putin e a ofensiva na Ucrânia. O único partido contrário à guerra, o Yabloko, foi excluído da votação há poucas semanas pelo Supremo Tribunal.
Mas estas são as primeiras eleições legislativas desde o início da campanha militar na Ucrânia, em 2022, e podem oferecer pistas sobre a opinião dos russos a respeito do pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Um drone ucraniano também atingiu um ônibus na região de Kherson, no sul da Ucrânia controlado pela Rússia. O ataque deixou dois mortos, incluindo uma funcionária da Comissão Eleitoral, segundo o organismo.
Na Ucrânia, um ataque russo matou quatro pessoas, incluindo três crianças, na região de Kiev, segundo as autoridades locais.
O ataque aconteceu na noite de sábado (19) e atingiu 31 imóveis na região de Kiev, incluindo edifícios residenciais, instalações industriais e agrícolas, assim como um armazém. Ataques russos também atingiram neste domingo infraestruturas ferroviárias no centro da Ucrânia.
Ataque “sem precedentes”
Em Moscou, uma refinaria sofreu danos, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, que denunciou um ataque “sem precedentes” cometido “com o objetivo de perturbar as eleições”.
“O inimigo não conseguiu”, acrescentou, em referência aos mais de 1.600 drones abatidos pela defesa antiaérea russa, dos quais “450 se dirigiam para Moscou”.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky afirmou que os ataques de Kiev “tiveram um impacto muito importante na região de Moscou”.
Putin conclamou a população a participar e considera o voto uma demonstração de apoio às tropas russas, assim como uma “resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia”.
A votação, que renovará as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, será encerrada neste domingo às 21h00 locais (15h00 de Brasília). Os primeiros resultados devem ser anunciados pouco depois.
Alguns russos temem que, depois das eleições, o governo anuncie uma mobilização militar como a de 2022, quando a convocação de 300.000 reservistas provocou o êxodo de milhares de homens em idade militar.
Putin nega a intenção de convocar reservistas.
Ciberataque
Os adversários políticos de Putin foram, em sua maioria, empurrados para o exílio e seu principal opositor, Alexei Navalny, morreu em uma prisão no Ártico em 2024.
A oposição russa no exílio conclamou os russos contrários ao Kremlin a não boicotar as eleições, e sim a votar “contra o partido de Putin”.
A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, pediu aos russos contrários à guerra que votassem de forma sincronizada ao meio-dia de domingo, uma tática que, nas eleições presidenciais de 2024, atraiu multidões às urnas.
Mas o Yábloko discordou e argumentou que era melhor optar pela abstenção.
“Vocês sugerem que, mais uma vez, sigamos como ovelhas, dançando ao som que eles tocam, e votemos naqueles que provocaram a morte de pessoas na Rússia e na Ucrânia?”, questionou no início da semana o presidente do partido, Nikolai Ribakov.
A votação também acontece de forma eletrônica em quase 30 regiões. No sábado, a Comissão Eleitoral relatou um “ataque cibernético muito potente”.
Também afirmou que sabotadores cortaram as linhas de comunicação no extremo leste da Rússia, o que classificou como “uma tentativa de perturbar a votação na região”.
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