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Na ONU, Lula falará de soberania e interferência externa na eleição

Presidente abre Assembleia Geral antes de Trump e deve tratar do cenário eleitoral brasileiro

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interromperá por 48 horas sua campanha eleitoral nesta semana para participar da abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. No discurso, nesta segunda-feira (21), o petista deve abordar temas internacionais, mas também enviar recados relacionados à eleição brasileira.

Segundo um assessor próximo do presidente, Lula incluirá na fala uma defesa da soberania nacional e uma condenação a tentativas de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

Lula será seguido na tribuna da ONU pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no ano passado impôs tarifas a produtos brasileiros sob a justificativa de que reagia ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a fonte, o discurso não terá menções diretas a países ou autoridades, mas abordará uma das preocupações da campanha petista: uma possível interferência norte-americana em favor do principal candidato da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O recado será dado de forma “polida, mas firme”, afirmou o assessor.

Trump não se manifestou pessoalmente sobre a eleição brasileira, mas recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca. Integrantes do governo norte-americano também deram sinais de apoio ao senador.

Houve ainda tentativas de enviar representantes do Departamento de Estado ao Brasil para discutir as eleições e realizar encontros com Flávio, além de declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra Lula.

Apesar da preocupação com uma possível interferência norte-americana, a campanha petista aposta na relação construída entre Lula e Trump para evitar medidas mais concretas.

A aproximação começou com uma conversa de cerca de 30 segundos nos corredores da ONU, em setembro do ano passado.

“O relacionamento deles pode deixar mais difícil, ou mais constrangedor, para Trump se manifestar publicamente contra a reeleição do presidente ou contra o resultado, se Lula vencer”, disse a fonte.

Neste ano, não houve negociação para um encontro formal entre os dois presidentes durante a passagem de Lula por Nova York. O Palácio do Planalto, porém, acredita que eles possam voltar a conversar rapidamente caso se encontrem.

Segundo o assessor, no ano passado foi necessária uma articulação prévia diante das dificuldades na relação entre os dois governos. Dois meses antes, Trump havia anunciado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando uma suposta perseguição a Bolsonaro.

Desde setembro de 2025, Lula e Trump tiveram três encontros presenciais e quatro conversas por telefone.

+ Lula se reúne hoje com prefeito de Nova York e Bernie Sanders

Encontro com Mamdani

Lula chegou a Nova York no fim da tarde de domingo (20) e deve embarcar de volta ao Brasil no início da tarde de terça-feira (22), após a abertura da Assembleia Geral.

A agenda desta segunda-feira prevê poucos encontros bilaterais. Um deles será com o prefeito de Nova York, o democrata Zohran Mamdani, um dos principais nomes da oposição ao governo Trump.

Mamdani já havia solicitado um encontro com Lula em 2025, quando ainda estava em campanha para a prefeitura.

Desta vez, segundo assessores do presidente brasileiro, o pedido partiu novamente do democrata, que deverá definir os principais temas da conversa.

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