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Cortes nos investimentos dos EUA prejudicam pesquisa climática global

Cortes orçamentários nos EUA podem comprometer programas de monitoramento climático, afetando pesquisas essenciais globalmente.

NOAA Corps (Foto: Reprodução)
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  • Cortes orçamentários propostos pelo governo de Donald Trump ameaçam programas de monitoramento climático nos Estados Unidos.
  • A proposta para 2026 sugere redução dos fundos da National Science Foundation de US$ 9 bilhões para US$ 3,9 bilhões e da NASA de US$ 25 bilhões para US$ 19 bilhões.
  • A NASA opera mais de 20 satélites para monitoramento climático, enquanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) possui 18.
  • A NOAA demitiu cerca de 1.300 funcionários, impactando a pesquisa oceânica e a coleta de dados climáticos.
  • A falta de dados precisos pode afetar a compreensão de fenômenos climáticos globais, como El Niño e La Niña.

Cortes orçamentários nos EUA ameaçam pesquisa climática global

Nos Estados Unidos, cortes orçamentários propostos pelo governo de Donald Trump estão colocando em risco a continuidade de programas essenciais de monitoramento climático. Entre 28 de maio e 1º de junho, mais de uma centena de meteorologistas e cientistas participaram do evento “Live do Tempo e do Clima”, transmitido ao vivo pelo YouTube, para destacar a importância de suas pesquisas. Os organizadores afirmaram que “os americanos precisam planejar o seu futuro”, referindo-se às implicações das mudanças climáticas.

A proposta de orçamento para 2026 sugere uma redução drástica nos fundos da National Science Foundation (NSF), de US$ 9 bilhões para US$ 3,9 bilhões, e da NASA, de US$ 25 bilhões para US$ 19 bilhões. Esses cortes afetam não apenas a pesquisa climática, mas também diversas áreas da ciência. Historicamente, os EUA têm sido líderes na produção de artigos científicos sobre mudanças climáticas, mas a proporção de publicações caiu de quase 60% entre 1989 e 1994 para pouco mais de 30% entre 2015 e 2019.

Impactos no monitoramento climático

Os dados climáticos gerados pelos EUA são cruciais para cientistas em todo o mundo. A NASA opera mais de 20 satélites dedicados ao monitoramento climático, enquanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) é responsável por 18. Recentemente, a NOAA demitiu cerca de 1.300 funcionários, o que representa uma perda significativa para a pesquisa oceânica. A redução de dados provenientes de balões meteorológicos, essenciais para previsões climáticas, também foi observada, com uma queda de 10%.

Além disso, o programa Landsat, que fornece imagens da superfície terrestre desde 1972, enfrenta incertezas financeiras. A missão Landsat Next, que deveria lançar novos satélites a partir de 2031, não tem previsão de recursos no orçamento proposto. O corte na NASA para 2026 ultrapassa US$ 270 milhões em relação ao ano fiscal de 2024.

Consequências globais

Os cortes orçamentários não afetam apenas os Estados Unidos, mas têm repercussões globais. A oceanógrafa Regina Rodrigues destacou que o programa Global Tropical Moored Buoy Array, que monitora mudanças climáticas em oceanos, pode ser comprometido. A falta de dados precisos pode prejudicar a compreensão de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña.

A economista Rachel Cleetus, da União dos Cientistas Preocupados, alertou que a descontinuidade de dados climáticos pode levar a uma “tentativa de encobrir os fatos”. A pesquisa climática, fundamental para entender e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, enfrenta um futuro incerto nos Estados Unidos, com impactos que se estendem por todo o planeta.

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