Um novo avanço no tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) foi registrado com o medicamento sotatercept, que demonstrou reduzir em 76% o risco de morte e hospitalização em pacientes com a forma avançada da doença. O estudo, que envolveu 172 pacientes, foi interrompido antes do término previsto para que todos os participantes pudessem receber o tratamento.
O sotatercept, administrado por injeção subcutânea a cada três semanas, atua nas artérias pulmonares, diminuindo a espessura das paredes dos vasos e facilitando a circulação sanguínea entre o coração e os pulmões. Essa ação alivia a sobrecarga no ventrículo direito, que é frequentemente afetado em pacientes com HAP. O professor Rogério Souza, da Faculdade de Medicina da USP, coautor do estudo publicado no *The New England Journal of Medicine*, destacou a importância do medicamento, especialmente para aqueles que já estavam em tratamento com outras opções.
A HAP é uma condição rara e progressiva, caracterizada por um aumento na resistência vascular pulmonar, levando à falência do ventrículo direito. Os sintomas, como dispneia, fadiga e dor torácica, são frequentemente confundidos com outras doenças, o que dificulta o diagnóstico. A falta de conhecimento sobre a doença, tanto na população quanto entre profissionais de saúde, contribui para esse atraso.
Historicamente, os tratamentos disponíveis eram limitados a vasodilatadores pulmonares, que apresentavam eficácia restrita. O sotatercept, por sua vez, pertence à classe dos medicamentos biológicos e atua de forma mais específica, equilibrando as vias de sinalização que controlam o crescimento celular nas paredes dos vasos pulmonares. Apesar de alguns efeitos colaterais, como aumento da hemoglobina e sangramentos nasais, a eficácia do sotatercept foi tão significativa que a análise interina do estudo levou à sua antecipação.
No Brasil, o medicamento já foi registrado pela Anvisa, mas ainda aguarda etapas adicionais para ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A conscientização sobre a HAP é crucial para que gestores de saúde priorizem políticas públicas adequadas para essa condição, que, embora rara, não deve ser negligenciada.
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