A escassez de água em centros de saúde é um problema crítico em Malaui, onde muitas mulheres enfrentam dificuldades durante o parto. Cerca de 76% das mulheres no país são responsáveis por buscar água, e apenas 24% dos centros de saúde têm acesso a água corrente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa situação coloca em risco a saúde materna e neonatal, já que a falta de água potável pode levar a complicações graves durante o parto.
Recentemente, o Real Colegio de Cirujanos da Irlanda (RCSI) lançou um projeto inovador para coletar água da chuva e fornecer água limpa a centros de saúde. A iniciativa visa melhorar a higiene e reduzir a mortalidade materna e neonatal. O método, chamado de desinfecção solar do água (SODIS), utiliza luz solar para tratar a água da chuva, um recurso abundante em Malaui. Essa tecnologia é uma solução acessível e sustentável, permitindo que os profissionais de saúde realizem procedimentos essenciais, como a lavagem das mãos e a esterilização de instrumentos.
O Dr. Jakub Gajewski, co-investigador do projeto, destaca que a falta de água potável é um problema constante em Malaui, especialmente em áreas rurais, onde 80% da população reside. Ele observa que a escassez de água não é apenas uma inconveniência, mas um risco significativo para a saúde. A implementação do sistema de coleta de água da chuva pode reduzir as mortes neonatais em até 44%, conforme dados da ONU.
Christabel Kambala, professora da Universidade de Ciências Empresariais e Aplicadas de Malaui, ressalta que a crise climática tem exacerbado a escassez de água. O projeto utiliza dois depósitos com capacidade de 10.000 litros cada, o que é suficiente para atender a demanda de centros de saúde que realizam cerca de 60 partos mensais. A iniciativa não só visa resolver a falta de água, mas também inspirar soluções semelhantes em outras regiões com recursos limitados.
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