Após um ano à frente da Federação Internacional da Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metabólicos (IFSO), o cirurgião brasileiro Ricardo Cohen destaca a necessidade de uma nova abordagem no diagnóstico e tratamento da obesidade. Ele propõe que a avaliação não se baseie apenas no Índice de Massa Corporal (IMC), mas que considere sinais e sintomas como apneia do sono e problemas cardíacos. Essa mudança visa classificar os pacientes em casos pré-clínicos e clínicos, permitindo intervenções mais adequadas.
Cohen, que também lidera o Centro de Obesidade e Diabetes no Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo, critica a rejeição do Sistema Único de Saúde (SUS) a medicamentos eficazes para emagrecimento, como semaglutida e liraglutida. Ele argumenta que a falta de acesso a esses tratamentos contribui para o estigma em torno da obesidade, que ainda é vista como uma questão de força de vontade. A obesidade é uma condição crônica, e os pacientes precisam ser acolhidos e tratados com compreensão.
Em uma pesquisa realizada pelo Metabolic Health Institute, os pacientes ainda acreditam que o emagrecimento depende de dieta e exercícios, perpetuando a culpa associada à obesidade. Cohen ressalta que a comunidade médica está começando a reconhecer a obesidade como uma doença biológica, mas ainda há resistência. Ele enfatiza que a nova classificação da obesidade, apoiada por 79 sociedades médicas, é um passo importante para mudar essa percepção.
Cohen também discute a importância do tratamento precoce da obesidade, comparando-a ao câncer, onde a intervenção rápida é crucial. Ele defende que pacientes com obesidade pré-clínica devem ser monitorados para evitar o desenvolvimento de complicações. O cirurgião conclui que, apesar dos avanços, a luta contra a obesidade ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito ao acesso a tratamentos adequados e à mudança de mentalidade na sociedade.
Entre na conversa da comunidade