Emergência de Saúde Pública na África Ocidental
A emergência de saúde pública na África Ocidental se agrava com a ascensão do kush, uma droga composta por canabinoides e opioides sintéticos, que já causou mortes em massa em países como Libéria e Serra Leoa. Desde sua aparição em 2022, a substância se espalhou rapidamente, afetando principalmente populações de baixa renda.
O kush, que pode ser até 25 vezes mais potente que o fentanilo, é consumido fumado, semelhante à maconha. A doctora Marie Koumbassa, responsável pelo centro Sajed em Conakry, destaca que a droga é “muito destrutiva e perigosa”, com um aumento alarmante de casos que resultam em morte. Sierra Leoa e Libéria já declararam emergência nacional devido ao número crescente de óbitos.
Impacto Social e Saúde
Os usuários de kush, em sua maioria, vêm de áreas desfavorecidas. Em Conakry, a droga é facilmente acessível, com doses custando menos de um euro. Um estudo da UNODC revelou que 1% dos estudantes entre 15 e 18 anos já experimentou a substância, tornando-se a terceira droga mais consumida entre os jovens, atrás do cannabis e de inalantes.
Os efeitos colaterais são severos, incluindo cefaleias, convulsões e agressividade. O tratamento nos centros de reabilitação é complicado pela falta de recursos. O centro Sajed, por exemplo, já atendeu mais de 500 pacientes desde 2019, mas enfrenta escassez de medicamentos e pessoal.
Desafios no Combate ao Tráfico
O kush é produzido com ingredientes que vêm de China, Países Baixos e possivelmente do Reino Unido, chegando a Sierra Leoa por meio de rotas marítimas e serviços de entrega. A mistura da droga é frequentemente alterada, tornando a luta contra o tráfico ainda mais complexa. Em 2023, 59% dos pacientes do único hospital psiquiátrico de Sierra Leoa relataram uso de kush.
A situação é crítica, com mortes em massa saturando os sistemas funerários e levando a cremations em grupo. A doctora Koumbassa ressalta que o kush é “a droga de moda” entre os mais pobres, enquanto a cocaína é consumida por pessoas de classe média. A emergência de saúde pública na região exige uma resposta urgente e coordenada para enfrentar essa nova crise.
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