Maria Homem, psicanalista e escritora, aponta que redes sociais não criaram a comparação, mas a aceleraram e a lucraram com ela. Algoritmos alimentam vieses, fantasias e o chamado efeito manada.
A especialista é curadora da programação Mente do São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia promovido pelo Estadão em parceria com Base Eventos. O evento ocorre de 13 a 15 de maio, no Pacaembu e na Faap.
No diagnóstico, o ciclo é de retroalimentação: buscamos confirmação, recebemos exatamente isso e a bolha se fecha. Para Homem, “você fica sozinho e amante do próprio preconceito”.
Movimento red pill é visto como reação ao avanço das mulheres no espaço público, trabalho e vida sexual. Homens que consomem esse conteúdo teriam medo de perder espaço e autonomia.
Ela explica que a comparação faz parte da identidade: quem sou eu em relação ao outro? As redes acionam perguntas como: sou suficiente? O que os outros valorizam em mim?
Segundo a psicanalista, a intolerância cresce com o imediatismo digital. Frustração, inveja e desumanização aparecem quando não há pausa para reflexão e elaboração mental.
A proposta é reduzir a exposição viciante: menos algoritmos polarizantes, mais tecnologia civilizatória. Enquanto isso, a prática afirma a necessidade de silêncios e tempo de assimilação.
Para enfrentar o cenário, Homem sugere consciência de que cada pessoa pode escolher responder à demanda coletiva e manter autonomia diante do fluxo de conteúdos.
A entrevista aborda ainda impactos sobre adolescentes: meninas parecem avançar, meninos demonstram maior conservadorismo. O caminho é ampliar o diálogo entre gerações e lados.
Fontes: entrevista com Maria Homem, divulgada em preparação para o São Paulo Innovation Week. Credita-se ao Estadão como divulgador do conteúdo.
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